Desafios da tecnologia no agronegócio: conexão com produtores ainda é barreira

Desafios da tecnologia no agronegócio: conexão com produtores ainda é barreira

Agro

A transformação tecnológica no agronegócio brasileiro está em plena evolução, impulsionada por inovações em inteligência artificial, agricultura digital e práticas regenerativas. No entanto, um desafio persistente é a integração dessas tecnologias ao cotidiano dos produtores rurais. Esse foi o foco do painel ‘Agricultura do Futuro’, realizado durante o Campinas Innovation Week 2026, em Campinas (SP).

Conexão entre inovação e prática agrícola

O evento, promovido pela Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa do Agronegócio (Fundepag), reuniu especialistas para discutir como as inovações podem efetivamente beneficiar os produtores. A principal questão levantada foi a dificuldade de incorporar novas tecnologias nas operações agrícolas diárias, especialmente em propriedades de pequeno e médio porte.

Miguel Luiz Menezes Freitas, presidente do Conselho da Fundepag, destacou a importância das instituições de pesquisa em conectar o conhecimento científico às necessidades práticas do setor produtivo. “A Fundepag atua como uma ponte, sempre olhando adiante para atualizar um setor em constante evolução”, afirmou.

Critérios para adoção tecnológica

No painel ‘Tecnologias de Futuro’, moderado por Álvaro Duarte, diretor-presidente da Fundepag, os participantes discutiram os critérios para que inovações sejam adotadas comercialmente. Daniel Albiero, da Unicamp, Allan Daher, do AgNest Farm Lab, e Eugênio Brito, do Parque Tecnológico de Sorocaba, concordaram que a validação tecnológica deve ir além da funcionalidade, avaliando também a adaptabilidade e o retorno econômico para os produtores.

É essencial considerar as diferenças nos perfis dos produtores, desde a agricultura familiar até os grandes empreendimentos, para garantir que as soluções tecnológicas sejam acessíveis e eficazes.

Desafios da agricultura digital

O painel ‘Agricultura Digital Aplicada’, moderado por Ricardo Campo, ressaltou a necessidade de organizar e integrar dados agrícolas para uma transformação digital eficaz. Júlio César Dalla Mora Esquerdo, da Embrapa, e José Damico, da SciCrop, enfatizaram que a simples aquisição de tecnologia não é suficiente. “Pode-se ter o melhor hardware ou software, mas é preciso organizar os dados”, destacou Damico.

A expansão de projetos-piloto para diferentes regiões também foi apontada como um desafio, exigindo investimentos em infraestrutura digital e capacitação profissional.

Agricultura regenerativa em foco

A terceira frente do evento abordou a agricultura regenerativa, destacando práticas que visam a recuperação de áreas degradadas e a integração de sistemas produtivos. Denys Eduardo Biaggi moderou o painel, que contou com a participação de especialistas como José Eraldo Xavier Korczak e Gabriel Moura.

Os debates enfatizaram a importância de adaptar práticas sustentáveis às condições específicas de cada propriedade, promovendo a saúde do solo e a recuperação de pastagens. Iniciativas como o Programa REVERTE, da Syngenta, foram citadas como exemplos de sucesso na transformação de áreas degradadas em produtivas.

O caminho para o futuro

As discussões durante os painéis destacaram a necessidade de reduzir a distância entre pesquisa, desenvolvimento tecnológico e a realidade dos produtores rurais. A participação ativa dos agricultores nas etapas de desenvolvimento e validação das tecnologias é crucial para que as soluções sejam ajustadas às condições do campo.

Álvaro Duarte reforçou que a aproximação entre ciência, tecnologia, empresas e sociedade é um dos objetivos da Fundepag. “Participar da Campinas Innovation Week é uma oportunidade de discutir um tema tão relevante para o futuro do agronegócio”, concluiu.

Acompanhe o ConexRS para mais informações sobre inovações no agronegócio e outros temas relevantes.

Fonte: portaldoagronegocio.com.br