Safra de soja 2026/27 exige atenção redobrada contra pragas e doenças desde o plantio

Safra de soja 2026/27 exige atenção redobrada contra pragas e doenças desde o plantio

Agro

O início da janela de plantio da soja para a safra 2026/27 em Mato Grosso e Goiás, aberto oficialmente após o término do vazio sanitário em 20 de setembro, traz consigo um desafio técnico imediato para os produtores rurais. Com a retomada das atividades no campo, especialistas alertam que a gestão fitossanitária precisa ser priorizada desde a implantação das lavouras para evitar perdas que podem comprometer a produtividade final do ciclo.

O cenário exige um monitoramento rigoroso, dado que a pressão de organismos nocivos, como a ferrugem-asiática, o percevejo-marrom e os nematoides, tende a ser constante. O planejamento antecipado é apontado como a principal ferramenta para que o agricultor evite intervenções emergenciais de alto custo e baixa eficácia, garantindo que o potencial produtivo das plantas seja preservado desde o desenvolvimento inicial.

Desafios fitossanitários no início do ciclo

A ferrugem-asiática, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, permanece como uma das maiores ameaças à cultura. Dados do Consórcio Antiferrugem indicam um salto preocupante no número de casos confirmados, que subiram de 124 para 379 na última temporada. Esse aumento reforça a necessidade de vigilância constante, uma vez que a doença pode se espalhar rapidamente sob condições climáticas favoráveis.

Paralelamente, o percevejo-marrom (Euschistus heros) exige atenção por sua capacidade de causar danos em diversas fases fenológicas da soja. A dificuldade histórica de controle dessa praga torna o manejo integrado uma prática indispensável, exigindo que o produtor combine diferentes tecnologias para mitigar os impactos na qualidade dos grãos e no vigor das plantas.

O impacto silencioso dos nematoides

Diferente das pragas que atacam a parte aérea e apresentam sintomas visíveis, os nematoides atuam de forma silenciosa no sistema radicular. O ataque desses organismos compromete a absorção de água e nutrientes, resultando em plantas com aspecto de definhamento, amarelecimento e formação de reboleiras. Muitas vezes, esses sinais são confundidos com estresse hídrico ou compactação do solo, o que retarda o diagnóstico e o tratamento adequado.

Jhonatan Coradin, engenheiro agrônomo e gerente de Desenvolvimento de Mercado da Vittia, enfatiza que o manejo contra nematoides deve ser estruturado logo na largada da safra. Segundo o especialista, o planejamento estratégico permite ao produtor ganhar tempo na tomada de decisão, otimizando os investimentos operacionais e evitando que o problema se torne incontrolável ao longo do desenvolvimento da cultura.

Integração de tecnologias no manejo

A estratégia para a temporada 2026/27 aponta para a combinação de diferentes ferramentas de controle. A integração de biodefensivos ao programa de manejo tem ganhado espaço como uma alternativa eficaz e complementar aos métodos químicos tradicionais. O uso de tecnologias biológicas, como a bactéria Bacillus amyloliquefaciens e o fungo Purpureocillium lilacinum, busca proteger o sistema radicular e favorecer o desenvolvimento das plantas.

Ensaios conduzidos pela área de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) da Vittia registraram cerca de 70% de eficiência de controle em condições experimentais específicas. Essas soluções podem ser aplicadas em diferentes momentos, desde o tratamento de sementes até a aplicação no sulco de plantio ou via foliar, adaptando-se às necessidades de cada propriedade e ao histórico fitossanitário da área.

O sucesso na colheita, portanto, dependerá da capacidade do produtor em adotar uma visão sistêmica. O manejo integrado não se trata de escolher uma única tecnologia, mas de utilizar a ferramenta correta no momento exato para cada desafio específico. Continue acompanhando o ConexRS para mais atualizações sobre o desenvolvimento da safra e análises técnicas essenciais para o agronegócio brasileiro.

Fonte: portaldoagronegocio.com.br