Abrapa entrega propostas para o futuro do algodão aos candidatos à presidência até 2030

Abrapa entrega propostas para o futuro do algodão aos candidatos à presidência até 2030

Agro

A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) deu um passo decisivo no debate sobre o futuro do agronegócio nacional ao entregar aos candidatos à Presidência da República uma carta aberta com as diretrizes prioritárias para o setor entre 2027 e 2030. O documento, que consolida demandas de 11 associações estaduais, busca transformar a cotonicultura em um pilar ainda mais robusto da economia brasileira, focando em competitividade, inovação e sustentabilidade.

O movimento ocorre em um momento em que o Brasil consolida sua posição de protagonismo no mercado global de fibras. Com a representação de cerca de 99% da área plantada no país, a Abrapa defende que o algodão seja tratado como um ativo estratégico de Estado, superando a visão de curto prazo e estabelecendo bases sólidas para investimentos que atravessam diferentes gestões governamentais.

Pilares para a competitividade e segurança jurídica

Um dos eixos centrais da agenda apresentada é a busca por um ambiente de maior segurança jurídica e estabilidade regulatória. Para a entidade, a previsibilidade das regras é o combustível necessário para que produtores e indústrias mantenham o ritmo de expansão. O setor aponta que a volatilidade cambial e as incertezas geopolíticas exigem políticas públicas que protejam a cadeia contra choques externos, especialmente no que tange à dependência de fertilizantes importados.

Além disso, a implementação efetiva da Lei nº 15.070/2024, que regula o uso de bioinsumos, é vista como um passo fundamental. A modernização do marco regulatório deve caminhar lado a lado com o fortalecimento de instrumentos de política agrícola, como o seguro rural e novas modalidades de acesso ao mercado de capitais, essenciais para a gestão de riscos em uma atividade de alta tecnologia.

Logística e abertura de mercados internacionais

A eficiência logística permanece como um dos maiores desafios para a competitividade do algodão brasileiro. A carta aberta destaca gargalos críticos em rodovias, ferrovias, hidrovias e portos, que elevam os custos de escoamento e impactam a margem de lucro do produtor. A entidade sugere que o próximo governo priorize investimentos estruturantes que conectem o campo aos portos com maior agilidade e menor custo operacional.

No cenário externo, a estratégia é clara: diversificar os destinos das exportações e reduzir a dependência de mercados concentrados. A Abrapa propõe uma atuação diplomática e sanitária mais agressiva, focada na derrubada de barreiras tarifárias e não tarifárias que ainda limitam o potencial da fibra nacional em diversas regiões do globo.

Valorização das fibras naturais e inovação

Um diferencial importante da agenda para o próximo quadriênio é o foco na valorização das fibras naturais frente à concorrência crescente de materiais sintéticos. A entidade defende políticas públicas que incentivem o uso do algodão em compras governamentais e promovam pesquisas sobre os impactos ambientais dos microplásticos, posicionando o produto brasileiro como uma alternativa sustentável e de alta qualidade.

Segundo Marcio Portocarrero, diretor-executivo da Abrapa, a integração entre ciência aplicada e políticas de mercado é o caminho para manter a liderança brasileira. O tema ganha ainda mais relevância com o 15º Congresso Brasileiro do Algodão (CBA), que acontece em setembro de 2026, em Belo Horizonte, servindo como um hub de debates para aprofundar essas propostas com especialistas e lideranças do setor.

O ConexRS segue acompanhando de perto os desdobramentos dessa agenda e o impacto das propostas no cenário econômico nacional. Continue conectado ao nosso portal para receber informações relevantes, análises aprofundadas e o contexto completo sobre os temas que movem o Brasil.

Fonte: portaldoagronegocio.com.br