Aporte das bets no futebol brasileiro soma R$ 1 bilhão, mas representa 7% das receitas

Aporte das bets no futebol brasileiro soma R$ 1 bilhão, mas representa 7% das receitas

Esporte

O mercado de apostas online, popularmente conhecido como bets, tornou-se um pilar central no financiamento do futebol nacional nos últimos anos. No entanto, um levantamento recente da consultoria Convocados revela que, apesar do volume expressivo de R$ 1,03 bilhão injetado nos clubes da Série A em 2025, essa cifra representa apenas 7,2% das receitas totais das equipes da elite, que somaram R$ 14,3 bilhões no período.

Impacto financeiro e dependência dos clubes

Os números mostram que, embora o patrocínio das casas de apostas tenha crescido cerca de 66% em comparação aos R$ 618 milhões registrados no ano anterior, ele ainda ocupa um papel secundário no orçamento geral. As receitas comerciais, que incluem esses patrocínios, atingiram R$ 3,069 bilhões, ficando atrás da venda de atletas (R$ 3,915 bilhões) e dos direitos de transmissão (R$ 3,142 bilhões).

A dependência, contudo, varia drasticamente entre as agremiações. O Flamengo, por exemplo, lidera o ranking de exposição financeira, com um contrato estimado em R$ 268 milhões com a Betano, representando 13,6% de sua receita total. Na sequência, aparecem o Vasco, com 12,3% de sua receita atrelada à Betfair, e o Sport, com 12% provenientes da Betnacional.

Manifesto e resistência contra restrições

O cenário de incerteza regulatória, impulsionado por discussões em Brasília e projetos de lei municipais, como o PL 0560/2025 em São Paulo, gerou uma reação imediata dos clubes. Em um manifesto conjunto intitulado “O fim do futebol brasileiro”, as entidades alertaram que mudanças abruptas nas regras poderiam comprometer a capacidade de investimento e gerar desequilíbrios competitivos.

O projeto de lei paulista, de autoria de vereadores como João Jorge e Lucas Pavanato, propõe a proibição de publicidade de apostas em eventos esportivos e espaços públicos da capital. A proposta prevê multas de R$ 50 mil e suspensão de licenças, o que, segundo a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), poderia resultar em um corte de R$ 9 bilhões em investimentos no setor até 2029, afetando toda a cadeia de mídia e marketing esportivo.

O risco de uma ruptura no modelo de gestão

Para o economista Cesar Grafietti, sócio da Convocados, o debate vai além da porcentagem nas planilhas. Ele ressalta que, embora o futebol não vá desaparecer sem o aporte das bets, uma interrupção súbita causaria danos severos a um sistema que já opera com finanças fragilizadas e compromissos contratuais de longo prazo, como salários de jogadores e custos operacionais.

Enquanto o setor aguarda definições sobre a regulamentação federal, o embate entre a necessidade de arrecadação dos clubes e a pressão social por restrições à publicidade de jogos online continua no centro da pauta. O Ministério da Fazenda segue monitorando a conformidade das empresas, buscando um equilíbrio entre a sustentabilidade econômica do esporte e a proteção ao consumidor.

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Fonte: noticiasaominuto.com.br