A situação financeira da Braskem (BRKM5) atingiu um ponto de inflexão crítico, colocando em lados opostos a estatal Petrobras (PETR4) e os credores da petroquímica. Com uma dívida de US$ 10,9 bilhões que exige reestruturação urgente, a companhia busca caminhos para manter sua sustentabilidade operacional. No entanto, a possibilidade de um socorro financeiro direto por parte de sua principal acionista foi descartada pela cúpula da estatal.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, foi enfática ao declarar, nesta quinta-feira (24), que a empresa não pretende realizar um aporte de capital de forma isolada na petroquímica. Atualmente, a estatal detém 47,03% do capital votante da Braskem. A recusa em injetar recursos sozinha reflete uma estratégia de evitar o aumento da exposição estatal no negócio, o que poderia culminar em uma estatização de fato caso a participação ultrapassasse a marca de 50%.
O impasse entre acionistas e a gestão da dívida
O cenário de incerteza ocorre em um momento em que a Braskem tenta viabilizar uma recuperação extrajudicial para lidar com seu passivo bilionário. Credores da companhia têm pressionado os dois principais blocos de controle — a Petrobras e o fundo Shine I FIP, vinculado à IG4 Capital — para que aportem novos recursos e garantam a solvência da empresa. A pressão é vista pelo mercado como uma tentativa de assegurar que os detentores de dívida tenham garantias de pagamento a longo prazo.
Para Magda Chambriard, a solução para o endividamento precisa ser compartilhada. A executiva defende que qualquer movimentação financeira de grande porte deve envolver todos os acionistas e parceiros da empresa. “Ampliar nossa participação não está no nosso horizonte e, portanto, não há o que falar em Petrobras aportar recursos sem falar em parceiros em geral, acionistas em geral, aportando recursos”, afirmou a presidente durante coletiva.
Divisão de tarefas e o futuro da companhia
Enquanto o impasse financeiro não é resolvido, a gestão da Braskem segue dividida entre seus controladores. Segundo a cúpula da Petrobras, a estatal mantém o foco na gestão operacional da petroquímica, enquanto a IG4 Capital é a responsável pela condução das questões corporativas e financeiras. Esse modelo de governança, segundo a estatal, tem apresentado resultados, embora a pressão dos credores indique que o mercado espera medidas mais drásticas para a reestruturação do balanço.
Paralelamente a esse debate, o mercado observa a movimentação em torno da OPA (Oferta Pública de Aquisição) destinada aos acionistas minoritários, agendada para o dia 16 de outubro. É importante ressaltar que essa oferta é um desdobramento da mudança de controle da companhia e não representa, por si só, uma injeção de capital novo no caixa da Braskem. A expectativa agora se volta para a reunião do Conselho de Administração da empresa, marcada para esta sexta-feira (25), onde novos detalhes sobre a estratégia de renegociação devem ser discutidos.
O ConexRS segue acompanhando de perto os desdobramentos deste caso, que impacta diretamente o setor petroquímico nacional e o mercado de capitais. Para se manter informado sobre as movimentações das grandes empresas e os reflexos na economia, continue acompanhando nossas atualizações diárias, onde prezamos pela análise precisa e pelo compromisso com a informação de qualidade.
Fonte: seudinheiro.com
