Expansão sustentável no campo brasileiro
O setor de produtos biológicos, conhecidos como bioinsumos, consolidou sua trajetória de crescimento no Brasil durante os primeiros seis meses de 2026. Segundo levantamento recente do CropData, portal de dados da CropLife Brasil, o mercado movimentou R$ 1,820 bilhão no período. O montante representa uma alta expressiva de 9,6% na comparação com o primeiro semestre de 2025, quando o setor registrou R$ 1,661 bilhão.
O avanço do segmento ganhou tração especialmente a partir de junho, mês que marca o início do ciclo de aquisição de insumos para o plantio da safra 2026/27. A tendência reflete uma mudança estrutural na forma como o produtor rural brasileiro lida com a produtividade e a sustentabilidade em suas lavouras.
Tecnologia e manejo integrado de pragas
O desempenho positivo do setor é atribuído, em grande parte, à adoção do manejo integrado de pragas, uma estratégia que busca controlar ameaças resistentes ao mesmo tempo em que promove práticas mais sustentáveis. A área tratada com bioinsumos apresentou um salto de 18%, subindo de 39 milhões para 46 milhões de hectares.
Para Renato Gomides, gerente executivo da CropLife Brasil, o fato de a expansão da área tratada crescer em ritmo superior ao valor financeiro movimentado é um sinal claro de democratização da tecnologia. Segundo ele, os biológicos estão chegando a mais hectares, atuando de forma complementar aos defensivos químicos tradicionais. Essa combinação amplia o arsenal do agricultor no combate a pragas e doenças, garantindo maior eficiência no campo.
Liderança dos bioinseticidas e panorama regulatório
Entre as diversas categorias de produtos, os bioinseticidas se destacaram como os principais responsáveis pela movimentação financeira, totalizando R$ 858,2 milhões — o equivalente a 47% de todo o mercado. Eles também lideraram em termos de área tratada, alcançando 16,4 milhões de hectares, impulsionados principalmente pela demanda do milho de segunda safra.
Outras categorias, como bionematicidas, biofungicidas e inoculantes, também compõem o portfólio de soluções, com um ritmo de aplicação que tende a se intensificar entre junho e dezembro. O suporte a esse crescimento vem da agilidade regulatória: até setembro de 2026, o país contava com 61 bioinsumos com registro ativo, sendo a maioria composta por agentes microbiológicos.
O processo de regularização, conduzido com base em dados do Ministério da Agricultura e Pecuária, segue critérios rigorosos. Atualmente, o prazo médio para a obtenção de registro é de aproximadamente 20 meses para produtos biológicos e 16 meses para a categoria de biológicos orgânicos, conforme apontado pela consultoria Move Analytics.
O ConexRS segue acompanhando de perto as transformações tecnológicas e econômicas que moldam o agronegócio brasileiro. Continue conosco para se manter informado sobre as tendências, análises de mercado e os fatos que impactam o desenvolvimento do campo e a economia nacional.
Fonte: canalrural.com.br
