Crescimento do consumo e relevância nutricional
O azeite de oliva consolidou-se como um item essencial na dieta dos brasileiros, refletindo uma mudança nos hábitos alimentares que prioriza a qualidade nutricional. Dados do Conselho Oleícola Internacional (IOC) revelam que o Brasil importou 80.768 toneladas de azeite na safra 2024/25, consolidando o país como um mercado estratégico que responde por 3,1% do consumo global. O cenário de expansão é evidente: entre outubro de 2025 e março de 2026, as importações registraram um salto de 40,5% em comparação ao mesmo período da safra anterior.
Mais do que uma tendência gastronômica, a busca pelo produto está atrelada aos seus benefícios comprovados à saúde. Segundo Cintya Bassi, coordenadora de nutrição e dietética do São Cristóvão Saúde, o azeite é uma fonte privilegiada de gorduras monoinsaturadas, especialmente o ácido oleico, conhecido como ômega 9. A combinação com antioxidantes, como o hidroxitirosol, e vitaminas E e K, confere ao alimento um papel protetor para o sistema cardiovascular e cerebral, auxiliando no controle dos níveis de colesterol.
Desmistificando o uso e a qualidade do azeite
Com a maior oferta de marcas e tipos nas prateleiras, surgem dúvidas frequentes sobre como identificar um produto de qualidade e qual a melhor forma de utilizá-lo. Eduardo Casarin, diretor da Filippo Berio no Brasil, destaca que o amargor e a picância, muitas vezes confundidos com defeitos, são, na verdade, características sensoriais naturais ligadas à presença de compostos fenólicos, fundamentais para a integridade do azeite.
Um dos pontos que mais gera confusão entre os consumidores é a versatilidade do produto no fogão. Ao contrário do que muitos acreditam, o azeite pode ser utilizado em refogados, assados e grelhados. A recomendação técnica é evitar temperaturas extremas que causem fumaça excessiva, o que poderia degradar suas propriedades. Além disso, a cor do azeite, que varia conforme a maturação da azeitona e a variedade do fruto, não deve ser utilizada como critério único de qualidade.
Ciência e conservação: o caminho para o consumo consciente
A ciência continua a validar o papel do azeite na longevidade. Uma meta-análise publicada em 2024 pelo European Journal of Preventive Cardiology, que analisou mais de 2,7 milhões de participantes em 30 estudos, reforçou a associação entre o consumo regular de azeite e a redução do risco de doenças cardiovasculares e mortalidade. Para aproveitar esses benefícios, a conservação é um passo decisivo.
Fatores como luz, calor, oxigênio e o tempo de armazenamento são os principais inimigos da qualidade. Após aberto, o frasco deve ser mantido em local protegido e bem vedado para evitar a oxidação. O entendimento dessas nuances permite que o consumidor faça escolhas mais conscientes, transformando o uso do azeite em uma prática que une saúde e prazer à mesa.
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Fonte: canalrural.com.br
