Daniel Valença evita sobrenome Arraes em campanha eleitoral em Pernambuco

Daniel Valença evita sobrenome Arraes em campanha eleitoral em Pernambuco

Política

A escolha por uma identidade própria nas urnas

Em um cenário político marcado pela força dos clãs familiares, o candidato a deputado estadual Daniel Valença (PSOL-PE) tomou uma decisão estratégica e simbólica para a sua trajetória eleitoral. Aos 42 anos, o engenheiro eletrônico optou por omitir o sobrenome Arraes — ligado a uma das figuras mais influentes da história política brasileira — em sua urna, preferindo utilizar o sobrenome paterno, Valença. A escolha o conecta ao seu tio, o cantor e compositor Alceu Valença, mas, segundo o candidato, o objetivo central é desvincular sua imagem da herança política tradicional.

Daniel é neto de Miguel Arraes, ex-governador de Pernambuco por três mandatos e liderança histórica da esquerda no século 20. Apesar do parentesco, o candidato afirma que sua candidatura não se sustenta em linhagens, mas em um projeto de renovação. “Não é uma negação. Tenho muito orgulho do meu avô e da história dele. Mas não vou fazer política pelo sobrenome. A política pernambucana vai melhorar quando as pessoas não votarem em sobrenomes, mas em programas”, defende.

Motivações históricas e pessoais

A decisão de não utilizar o nome do avô no material de campanha possui raízes profundas. O candidato relata que o pedido partiu de sua mãe, Carmen Silvia Arraes, que temia a perseguição política que a família sofreu durante o período da ditadura militar. Além disso, Daniel aponta o hábito patriarcal de priorizar o nome paterno e uma crítica pessoal à cultura de valorização de sobrenomes em detrimento de propostas concretas como fatores decisivos para a escolha.

A questão da identidade familiar na política pernambucana é um tema recorrente. O ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB), primo em segundo grau de Daniel, também não utiliza o sobrenome do bisavô, uma estratégia que remonta ao seu pai, Eduardo Campos, que evitava o nome Arraes justamente para proteger a família de represálias políticas em décadas passadas.

Ativismo e divergências no campo político

Com mestrado em energia eólica pela UFPE, Daniel Valença construiu sua trajetória como cicloativista nos últimos 15 anos. Sua entrada na política institucional, segundo ele, é fruto de uma convocação da militância e não de um desejo pessoal antigo. O candidato reforça que a política é uma extensão de seu compromisso com a mobilidade urbana e a sustentabilidade.

Apesar de pertencer a uma família com forte presença no espectro político, Daniel mantém uma postura crítica em relação aos parentes que ocupam cargos de poder. Enquanto a maior parte do clã Arraes mantém alianças com o PSB, Valença apoia a candidatura de Ivan Moraes ao governo de Pernambuco pelo PSOL. Ele tece críticas diretas à gestão de João Campos na Prefeitura do Recife e à administração da governadora Raquel Lyra (PSD), citando divergências sobre a privatização de parques e serviços públicos.

“Somos uma família forjada na democracia, a gente sabe muito bem trabalhar as discordâncias sem precisar fazer arenga”, afirma o candidato, garantindo que as tensões políticas não se traduzem em conflitos pessoais. Para acompanhar mais desdobramentos sobre o cenário eleitoral e as movimentações políticas em Pernambuco, continue conectado ao ConexRS, seu portal de informação relevante e contextualizada.

Fonte: redir.folha.com.br