Risco de restrição ao diesel nos EUA acende alerta para vulnerabilidade do mercado brasileiro

Risco de restrição ao diesel nos EUA acende alerta para vulnerabilidade do mercado brasileiro

Economia

A possibilidade de os Estados Unidos restringirem as exportações de diesel colocou o mercado brasileiro em estado de atenção. A discussão, que ganhou força após declarações recentes do presidente norte-americano Donald Trump, aponta para um cenário de incertezas que pode afetar diretamente a oferta do combustível no Brasil, país que ainda depende significativamente de compras externas para suprir a demanda interna.

O alerta partiu de uma análise do Citi, divulgada na segunda-feira (28), que avalia os impactos de uma eventual proibição, total ou parcial, das exportações norte-americanas. A medida, defendida por alas do governo e por parlamentares republicanos, teria como objetivo reconstruir os estoques internos dos EUA antes do inverno, em um momento em que os preços do petróleo no mercado internacional superam a marca de US$ 100 por barril.

Dependência brasileira e o desafio da oferta

Para o Brasil, o cenário é delicado. Dados da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) revelam que cerca de 80% do diesel importado pelo país em outubro teve origem em refinarias norte-americanas. Caso a torneira seja fechada, o país enfrentaria dificuldades imediatas para encontrar fornecedores alternativos, especialmente considerando que a Rússia restringiu suas vendas após ataques a refinarias e que os conflitos no Oriente Médio continuam pressionando a oferta global.

Além da escassez física, há a questão do custo. Importadores privados já operam sob margens apertadas, e uma redução na oferta global tende a elevar os preços internacionais. Mesmo com o atual subsídio de R$ 2,12 por litro, a viabilidade de novas importações por parte de empresas privadas pode ser comprometida, transferindo a pressão para a Petrobras.

A estratégia da Petrobras diante da crise

A Petrobras (PETR4) tem buscado mitigar os riscos através de um planejamento de importação mais robusto. A estatal já garantiu os 650 milhões de litros previstos para outubro e não projeta necessidade de compras expressivas para novembro. A CEO da companhia, Magda Chambriard, reforçou que o objetivo de longo prazo é que a estatal consiga atender integralmente à demanda nacional.

Para alcançar essa autonomia, a empresa aposta em projetos de expansão, como a conversão de 173 mil barris diários de diesel S500 para a versão S10, mais eficiente e menos poluente. Adicionalmente, a ativação do segundo trem da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco, deve adicionar 134 mil barris por dia à capacidade de processamento, um passo fundamental para reduzir a dependência externa.

Perspectivas para o investidor e o mercado

Apesar do temor, especialistas consideram improvável uma proibição total das exportações pelos EUA. O próprio governo norte-americano, incluindo o secretário de Energia, Chris Wright, trata a medida com cautela, ciente de que o excesso de diesel no mercado interno poderia reduzir as margens das refinarias e desestimular a produção de outros derivados, como gasolina e querosene de aviação.

Para investidores, a recomendação de casas de análise, como a Empiricus, mantém-se seletiva. O analista Matheus Spiess aponta que, mesmo com o risco, posições em refinarias como a Valero continuam fazendo sentido, baseadas na tese de que os derivados devem permanecer valorizados frente ao petróleo bruto. A orientação, no entanto, é de cautela, evitando uma exposição excessiva ao setor de energia.

O ConexRS segue acompanhando os desdobramentos dessa crise energética e seus impactos na economia brasileira. Continue conosco para se manter informado sobre as decisões que moldam o mercado e o cenário nacional, sempre com a profundidade e a credibilidade que a sua rotina exige.

Fonte: seudinheiro.com