Mendonça invoca resolução de Moraes em votação sobre caso de Nossa Senhora no TSE

Mendonça invoca resolução de Moraes em votação sobre caso de Nossa Senhora no TSE

Política

O ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), André Mendonça, trouxe um elemento de peso ao debate jurídico sobre a remoção de conteúdos digitais envolvendo a imagem de Nossa Senhora Aparecida. Em seu voto proferido nesta quarta-feira (30), o magistrado utilizou como base argumentativa uma resolução editada em 2022 pelo ministro Alexandre de Moraes, à época em que este presidia a corte eleitoral. A norma em questão foi desenhada para combater a disseminação de notícias falsas durante o período eleitoral.

O precedente normativo e a estratégia jurídica

A resolução citada por Mendonça conferia ao TSE poderes robustos para conter a desinformação, permitindo, inclusive, a suspensão temporária de perfis, contas ou canais que promovessem conteúdos falsos de forma contumaz. O texto da norma estabelecia que a produção sistemática de desinformação, ao apresentar dados falsos ou descontextualizados sobre o processo democrático, autorizava medidas restritivas severas por parte da Justiça Eleitoral.

Ao resgatar esse precedente, Mendonça buscou fortalecer sua posição em um cenário de divergência interna no tribunal. O ministro destacou que a validade daquela resolução foi confirmada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), conferindo, portanto, uma base de legitimidade constitucional ao seu raciocínio atual. A estratégia visa demonstrar que a medida não é um ato isolado, mas uma aplicação de diretrizes já consolidadas pela corte.

Divergência entre ministros e o conceito de censura

O debate no plenário ganhou contornos de confronto direto com o ministro Flávio Dino. Este último havia decidido pela manutenção das postagens, argumentando que a remoção forçada poderia configurar uma violação à liberdade de expressão. O embate revela a complexidade de equilibrar a proteção do ambiente informacional com as garantias individuais fundamentais.

Em sua réplica, Mendonça foi incisivo ao refutar a acusação de censura prévia. O magistrado sustentou que a extensão de uma ordem judicial para impedir a replicação de conteúdos já identificados como desinformativos não fere a liberdade de expressão. Para ele, trata-se de um mecanismo de contenção de danos sobre informações que já foram reconhecidas pelo tribunal como falsas ou manipuladas.

Contexto e repercussão do caso

A controvérsia gira em torno de uma notícia falsa que circulou nas redes sociais, sugerindo a retirada do título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. O tema, de forte apelo cultural e religioso, gerou uma verdadeira guerra de liminares antes de chegar ao plenário do TSE. A decisão final da corte sobre o caso é aguardada com expectativa, pois deve estabelecer um padrão para o tratamento de conteúdos que misturam desinformação e temas sensíveis à opinião pública.

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Fonte: redir.folha.com.br