Rabobank projeta pausa nos cortes da Selic após inflação superar expectativas

Rabobank projeta pausa nos cortes da Selic após inflação superar expectativas

Agro

O cenário econômico brasileiro enfrenta um novo momento de cautela. Em relatório recente, o Rabobank indicou que o Banco Central deve interromper o ciclo de cortes na taxa Selic, após a redução de 0,25 ponto percentual realizada em setembro, que fixou os juros em 13,75% ao ano. A instituição financeira aponta que a inflação acima do esperado tem forçado uma reavaliação das estratégias monetárias para o curto e médio prazo.

Pressão inflacionária e o impacto no IPCA-15

A decisão de interromper a flexibilização dos juros baseia-se, em grande parte, nos dados do IPCA-15 de setembro, que registrou uma alta de 0,70%. O número superou as projeções do próprio Rabobank, que esperava 0,50%, e as estimativas do mercado, fixadas em 0,53%. Segundo a análise, o aumento foi impulsionado principalmente pelo setor de energia elétrica, após o encerramento de descontos tarifários, além de pressões observadas nos segmentos de transportes e alimentação.

Embora parte dessa aceleração seja atribuída a componentes voláteis, o banco ressalta que o avanço dos preços livres e dos núcleos de inflação exige atenção redobrada das autoridades monetárias. A leitura da última ata do Comitê de Política Monetária (Copom) reforça essa percepção, sugerindo que o corte anterior foi uma medida de prudência, sem garantir uma sequência automática de reduções.

Riscos externos e o futuro da política monetária

Para o Rabobank, o cenário para os próximos meses permanece desafiador. A instituição projeta que a taxa Selic encerre 2027 em 12%, com a retomada da flexibilização prevista apenas para março do mesmo ano. A inflação estimada é de 5,1% para 2026 e 4,1% para 2027, enquanto a cotação do dólar é esperada em R$ 5,35 ao final do ano corrente.

Além dos indicadores internos, o banco destaca fatores externos que podem impactar a economia brasileira. A volatilidade do petróleo, alimentada por tensões geopolíticas no Oriente Médio, é vista como um risco direto aos custos de produção e aos preços dos combustíveis. O Banco Central segue monitorando esses desdobramentos, equilibrando a desaceleração da atividade econômica com a necessidade de ancorar as expectativas inflacionárias.

Impactos no setor agropecuário e produtividade

O agronegócio, pilar fundamental da economia nacional, também figura como ponto de atenção no relatório. O Rabobank alerta para os efeitos do fenômeno El Niño, que pode comprometer a produtividade de culturas estratégicas como milho, algodão e arroz. A intensidade do clima e as condições regionais serão determinantes para a oferta de alimentos e, consequentemente, para a pressão sobre os preços ao consumidor.

Apesar da incerteza, o banco mantém uma porta aberta para ajustes. Caso os dados de atividade econômica e as expectativas de inflação apresentem uma trajetória mais favorável, a possibilidade de novos cortes na Selic ainda em 2026 não está descartada. Por ora, a ordem é de observação, com foco na estabilidade cambial e na resiliência da economia diante dos riscos globais.

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Fonte: portaldoagronegocio.com.br