A paisagem rural do Rio Grande do Sul passa por uma transformação significativa durante os meses de frio. A canola, antes vista como uma cultura secundária, consolidou-se como uma das principais alternativas ao trigo nas propriedades gaúchas. Dados da Emater/RS revelam um salto expressivo na adesão dos produtores: a área plantada, que era de 56 mil hectares em 2022, atingiu a marca de 353 mil hectares em 2026, representando um crescimento de aproximadamente 530% em apenas quatro anos.
Rentabilidade e estratégia na sucessão de culturas
O interesse crescente pela oleaginosa não é fruto do acaso, mas de uma estratégia de mercado e manejo agronômico. Com um rendimento médio de 30 sacas por hectare — o equivalente a 1,8 mil quilos —, a cultura tem atraído quem busca otimizar a rentabilidade da terra. Estimativas apontam que o ganho por hectare pode superar a marca de R$ 2 mil, desconsiderando custos fixos, um valor que, em cenários favoráveis, chega a ser três vezes superior ao obtido com o cultivo tradicional do trigo.
Além do retorno financeiro, a canola oferece vantagens técnicas valiosas para o sistema de plantio direto. A colheita, que geralmente se encerra até outubro, libera a área de forma antecipada, permitindo que o produtor organize o calendário para a semeadura da soja sem atropelos. Essa janela de tempo é fundamental para garantir o sucesso da safra de verão, que é o carro-chefe da economia agrícola estadual.
Benefícios agronômicos e manejo do solo
Para além dos números financeiros, a cultura desempenha um papel importante na saúde do solo. A presença da planta durante o inverno garante a cobertura constante da terra, protegendo-a contra a erosão e mantendo a umidade necessária. Além disso, a canola atua na quebra do ciclo de pragas e doenças, um desafio constante para quem trabalha com monoculturas sucessivas.
Os resíduos deixados após a colheita também são aproveitados como matéria orgânica, facilitando a formação de palhada para o plantio da soja. Esse manejo integrado tem sido um dos pilares para a expansão da cultura, que encontra no clima e no solo do Rio Grande do Sul condições ideais para o seu desenvolvimento.
Capacitação e o futuro da oleaginosa
O avanço da canola tem demandado maior nível de profissionalização no campo. Iniciativas como o Vip Tour de Canola 2026, promovido pela Agrofel em parceria com a Nufarm, ilustram esse movimento. O projeto percorreu cerca de 500 quilômetros pelo estado, reunindo mais de 400 produtores em 50 horas de cursos técnicos, focados em boas práticas e manejo eficiente.
Para Rômulo Bremm, COO da Agrofel, a alta adesão aos treinamentos reflete a busca dos agricultores por diversificação produtiva. Com a expectativa de que a área cultivada cresça mais de 50% na próxima safra, o setor se prepara para consolidar a canola como um pilar da economia de inverno. Para acompanhar as atualizações sobre o agronegócio e as tendências que movimentam o campo, continue acompanhando o ConexRS, seu portal de referência em informação relevante e contextualizada.
Fonte: portaldoagronegocio.com.br

