Datafolha mostra que 68% dos brasileiros apoiam distribuição de canetas emagrecedoras pelo SUS

Datafolha mostra que 68% dos brasileiros apoiam distribuição de canetas emagrecedoras pelo SUS

Política

Uma parcela expressiva da população brasileira vê com bons olhos a possível inclusão das chamadas canetas emagrecedoras no rol de medicamentos oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo levantamento realizado pelo instituto Datafolha, 68% dos eleitores entrevistados apoiam a oferta gratuita desses fármacos para o tratamento da obesidade no país. O cenário, que reflete um debate crescente sobre saúde pública e políticas de combate ao sobrepeso, foi captado em pesquisa realizada entre os dias 29 de setembro e 1º de outubro de 2026.

Perfil do apoio e recortes demográficos

A aceitação da medida é ampla e atravessa diferentes camadas da sociedade, mantendo-se majoritária em praticamente todos os recortes sociodemográficos analisados. Entre os jovens, o entusiasmo é ligeiramente superior: na faixa etária de 16 a 24 anos, o índice de aprovação atinge 73%. Quando observada a divisão por gênero, a percepção é equilibrada, com 67% de aprovação entre os homens e 69% entre as mulheres.

O levantamento, que ouviu 2.506 pessoas em 152 municípios brasileiros, também revela uma correlação com a preferência política dos entrevistados. Entre os eleitores que declaram voto em Lula (PT), o apoio à iniciativa chega a 84%. Já entre os eleitores de Flávio Bolsonaro (PL), o índice de favoráveis é de 52%. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

O embate entre promessa política e viabilidade técnica

A proposta de fornecer os medicamentos ganhou força no debate público após ser apresentada como uma das promessas de campanha à reeleição do presidente Lula. O Ministério da Saúde, sob o comando de Alexandre Padilha, tem defendido a viabilidade da medida, estimando um custo anual de R$ 1,5 bilhão. O governo argumenta que a estratégia visa atender milhões de pacientes, embora os critérios de elegibilidade e o cronograma de implementação ainda não tenham sido detalhados.

Contudo, a trajetória do tema dentro da estrutura estatal é marcada por desafios. Em agosto de 2025, a Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS) chegou a rejeitar a incorporação das canetas. Na ocasião, o órgão apontou um custo elevado — estimado em R$ 6,8 bilhões em cinco anos — e a necessidade de políticas complementares, como acompanhamento psicológico e nutricional, que hoje são escassas na rede pública.

Desafios para a implementação no SUS

A discussão técnica sobre a eficácia do tratamento isolado permanece no centro das atenções. Especialistas alertam que, sem uma rede de suporte multidisciplinar, o uso das medicações pode não atingir os resultados esperados a longo prazo. O Ministério da Saúde solicitou, em 24 de setembro, que a Conitec elabore um novo protocolo de uso, focando em pacientes com obesidade, diabetes e outras comorbidades associadas.

O debate sobre a incorporação dessas tecnologias de ponta ao sistema público coloca em xeque o equilíbrio entre a demanda social por tratamentos modernos e a sustentabilidade financeira do SUS. Enquanto o governo busca viabilizar a promessa, a sociedade observa os próximos passos da comissão técnica, que terá a palavra final sobre quem terá acesso aos medicamentos e de que forma o tratamento será monitorado.

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Fonte: redir.folha.com.br