Safra brasileira de tomate industrial encolhe 8% devido a temporais em Goiás e São Paulo

Safra brasileira de tomate industrial encolhe 8% devido a temporais em Goiás e São Paulo

Agro

A safra brasileira de tomate destinado ao processamento industrial enfrenta um cenário de retração. De acordo com os dados mais recentes do World Processing Tomato Council (WPTC), a projeção de colheita para o país foi reduzida em 8%, caindo de 1,467 milhão de toneladas, estimadas em junho, para 1,35 milhão de toneladas ao final de julho.

Impactos climáticos na produtividade das lavouras

O ajuste na previsão reflete uma perda de 117 mil toneladas, um impacto direto das condições meteorológicas adversas que atingiram os principais polos produtores, especialmente Goiás e São Paulo. O ciclo da cultura, que exige controle rigoroso de umidade, foi severamente comprometido por precipitações acima da média registradas entre maio e junho.

O histórico da safra revela uma sucessão de desafios. Ainda em março, o plantio sofreu atrasos significativos devido ao regime de chuvas. Já no início de julho, o WPTC reportou danos severos em diversas localidades, com aumento na incidência de doenças fúngicas e queda na expectativa de produtividade por hectare. Caso os números se confirmem, o volume total ficará 6% abaixo da safra de 2025 e cerca de 18% menor que o registrado em 2024, evidenciando a vulnerabilidade do setor aos riscos climáticos globais.

Desafios na colheita mecanizada

A reta final do ciclo produtivo tem sido marcada por uma corrida contra o tempo. Como o tomate industrial é cultivado rente ao solo, a persistência das chuvas dificulta a operação das máquinas colhedoras. O produtor Fábio Alves, da região de Itaberaí, em Goiás, destaca que a umidade excessiva não apenas prejudica a qualidade do fruto, mas também limita a janela de operação das colheitadeiras, essenciais para o escoamento rápido até as indústrias de processamento.

Eficiência tecnológica como contraponto

Em contraste com a queda nacional, a Kraft Heinz projeta um cenário de crescimento de 15% na produção de sua base de parceiros, mantendo a área cultivada estável em cerca de 2.500 hectares. Lucas Pasqual, diretor de Agricultura da companhia no Brasil, explica que o avanço é fruto de investimentos em tecnologia e acompanhamento técnico rigoroso.

O modelo adotado pela empresa, que concentra suas operações em Goiás, foca na melhoria da produtividade por hectare. Através do fornecimento de insumos e assistência técnica especializada, a companhia busca mitigar os efeitos climáticos que afetam o setor. Esse desempenho diferenciado demonstra que, mesmo em anos de instabilidade, a adoção de técnicas avançadas de manejo pode sustentar a produtividade, embora o cenário macroeconômico do setor continue pressionado por fatores externos.

Para acompanhar os desdobramentos da safra e outras análises sobre o agronegócio brasileiro, continue conectado ao ConexRS. Nosso compromisso é levar até você informações precisas, contextualizadas e relevantes para o desenvolvimento do setor produtivo nacional.

Fonte: portaldoagronegocio.com.br