O consumidor brasileiro encontrou um cenário de contrastes nas gôndolas dos supermercados durante o mês de agosto. Enquanto o setor de hortifrúti, especificamente os legumes, registrou uma queda expressiva de 16,9% nos preços médios, itens fundamentais da dieta nacional, como o arroz e a carne de frango, seguiram uma trajetória de alta. Os dados fazem parte do estudo Variações de Preços: Brasil & Regiões, elaborado pela Neogrid, que mapeia o comportamento do varejo alimentar no país.
O alívio parcial no orçamento das famílias
A queda expressiva nos legumes foi acompanhada por outros produtos que também apresentaram alívio para o bolso. A carne suína, por exemplo, registrou uma redução de 6,2% no preço médio por quilo, saindo de R$ 17,11 em julho para R$ 16,05 em agosto. O movimento de baixa também foi observado nos ovos, com recuo de 3,3%, no feijão, com 3%, e no café, que ficou 1,2% mais barato no período.
Esse movimento de deflação em categorias específicas ajudou a compor o cenário do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que marcou 0,32% de queda em agosto — o maior recuo mensal desde 2022. No entanto, especialistas alertam que a percepção de economia depende diretamente do perfil de consumo de cada família, já que a cesta básica não é composta apenas pelos itens que ficaram mais baratos.
Pressão inflacionária em itens essenciais
Na contramão do setor de hortifrúti, produtos de consumo diário registraram encarecimento. A farinha de mandioca liderou as altas do mês, com um salto de 5,7%, seguida pela carne de frango, que subiu 2,9%. O arroz, item central na mesa dos brasileiros, ficou 2,5% mais caro, enquanto o pão e o molho de tomate também apresentaram variações positivas de 1,8% e 2%, respectivamente.
O cenário torna-se ainda mais desafiador quando se analisa o acumulado do ano. Entre dezembro de 2025 e agosto de 2026, o feijão acumulou uma alta de 30,9%, saltando de R$ 6,36 para R$ 8,33. O leite UHT segue uma tendência similar, com valorização de 29,9% no mesmo intervalo. Esses dados demonstram que, apesar da trégua mensal em alguns vegetais, o custo de vida para a alimentação básica permanece em patamar elevado.
Disparidades regionais no comportamento dos preços
A análise da Neogrid destaca que a inflação de alimentos não é uniforme em todo o território nacional. Enquanto o Norte do país registrou uma queda acentuada de 20,3% nos legumes, o Sul viu o preço do frango subir 5,6%, indo na contramão de outras regiões. O Centro-Oeste, por sua vez, observou uma queda expressiva de 22,5% na carne suína, mas enfrentou um aumento de 9,8% na farinha de trigo.
Para Marcelo Alves, gerente executivo de Dados da Neogrid, entender essas nuances é fundamental não apenas para o consumidor, mas para toda a cadeia produtiva. A inteligência de dados permite que varejistas e indústrias ajustem seus estoques e estratégias de reposição de forma mais eficiente, respondendo às demandas específicas de cada região brasileira.
O ConexRS segue acompanhando de perto os indicadores econômicos que impactam o dia a dia dos brasileiros. Continue conosco para entender os desdobramentos do mercado, as tendências do agronegócio e como as variações de preços moldam a realidade do nosso país.
Fonte: portaldoagronegocio.com.br

