O setor sucroenergético brasileiro vive uma transformação estratégica em sua busca por eficiência operacional e rentabilidade. Cada vez mais, usinas tradicionais de cana-de-açúcar estão investindo na integração de unidades de processamento de milho. O objetivo central é combater a ociosidade industrial durante a entressafra, período em que a moagem da cana é interrompida, permitindo que a planta opere de forma contínua ao longo de todo o ano.
A estratégia das usinas híbridas e a diluição de custos
A transição para o modelo de usina híbrida permite que as empresas aproveitem estruturas já existentes, como laboratórios, áreas administrativas e sistemas de armazenamento. Ao utilizar o milho como matéria-prima complementar, as usinas conseguem diluir os custos fixos, que antes precisavam ser absorvidos apenas pelos meses de safra da cana. A complementaridade entre as culturas é o pilar dessa mudança, já que o milho, diferentemente da cana, pode ser estocado por longos períodos.
Empresas de engenharia especializadas, como a Aplus, têm liderado projetos dessa natureza. Atualmente, a companhia desenvolve contratos com grupos como Atvos e Aroeira, além de manter negociações para outros cinco projetos na região Sudeste. Segundo Alessandro Salvador, sócio-fundador da Aplus, a integração não apenas otimiza o uso da infraestrutura, mas também gera economias significativas de capital, com custos de instalação consideravelmente menores do que a construção de plantas independentes.
Valor agregado e novas fontes de receita
Além da produção de etanol, o processamento do milho oferece subprodutos de alto valor comercial, como o DDG (grãos secos por destilação), amplamente utilizado na nutrição animal, e o óleo de milho. Essa diversificação de portfólio blinda as usinas contra oscilações de mercado e aumenta a estabilidade financeira do negócio. O bagaço da cana, por sua vez, continua a desempenhar um papel vital, sendo utilizado nas caldeiras para a cogeração de energia e vapor, garantindo a sustentabilidade energética da operação.
Grandes players do setor, como Cerradinho, São Martinho e Coprodia, já consolidaram essa estratégia em suas unidades. A adoção desse modelo reflete uma mudança de mentalidade no agronegócio brasileiro, que prioriza a eficiência máxima de ativos e a resiliência produtiva frente aos ciclos climáticos e sazonais. Para entender melhor como essas inovações moldam o futuro do setor, acompanhe as atualizações do ConexRS, onde trazemos análises aprofundadas sobre o mercado, tecnologia e os rumos da economia rural.
Fonte: portaldoagronegocio.com.br

