O setor de biocombustíveis no Brasil atravessa um momento de transformação estrutural, com o etanol de milho consolidando-se como um pilar fundamental da matriz energética nacional. Segundo projeções de Amaury Pekelman, presidente-executivo da União Nacional do Etanol de Milho (Unem), a participação deste insumo na produção total de etanol no país tem potencial para saltar dos atuais 30% para patamares entre 40% e 45% nos próximos dez anos.
Desde que ganhou tração no mercado brasileiro em 2017, o segmento apresentou um ritmo de expansão vigoroso, com um crescimento médio anual de 37% nos últimos cinco anos. Esse avanço não apenas diversifica as fontes de energia renovável, mas também altera a dinâmica logística e econômica, especialmente nas regiões produtoras de grãos.
Expansão e flexibilidade nas unidades produtivas
A ascensão do etanol de milho é impulsionada pela eficiência das chamadas usinas flex, que possuem a capacidade técnica de alternar entre o processamento de milho e cana-de-açúcar. Essa versatilidade permite que as empresas otimizem seus custos operacionais de acordo com a disponibilidade e a cotação de mercado de cada matéria-prima.
Embora a origem do insumo varie, o produto final mantém a mesma composição química, sendo plenamente compatível com os veículos leves que circulam no país. A estratégia de expansão também está atrelada à legislação vigente, como a lei do Combustível do Futuro, que abre margem para elevar a mistura de etanol na gasolina para até 35%, desde que novos estudos técnicos validem a segurança para os motores.
O papel estratégico dos coprodutos na pecuária
Um dos diferenciais competitivos do etanol de milho é a geração de coprodutos de alto valor agregado, como o DDG (grãos secos de destilaria) e o óleo de milho. O DDG tem se tornado um insumo essencial para a nutrição animal, sendo amplamente utilizado em sistemas de confinamento para bovinos, aves e peixes.
A adoção do DDG na dieta animal tem demonstrado impactos positivos na produtividade do setor pecuário. De acordo com Pekelman, a utilização desse subproduto pode reduzir significativamente o tempo de desenvolvimento do gado, otimizando o ciclo de engorda em comparação com dietas tradicionais baseadas apenas no milho in natura.
Desafios logísticos e perspectivas de mercado
A localização das biorrefinarias, concentradas majoritariamente no Centro-Oeste — região que combina a alta produção de milho com grandes rebanhos —, é um fator determinante para a viabilidade econômica do setor. Essa proximidade geográfica reduz custos logísticos e integra a cadeia produtiva de forma eficiente.
Além disso, o etanol de milho projeta-se como um player relevante para o futuro da aviação e do transporte marítimo. O produto serve como base para a fabricação do combustível sustentável de aviação (SAF), uma tecnologia que promete descarbonizar o setor aéreo global. Apesar do otimismo, o setor enfrenta desafios conjunturais, como a pressão nos custos de produção — incluindo fertilizantes e mão de obra — e a volatilidade dos preços da gasolina em relação ao petróleo internacional.
Para o produtor rural, a consolidação do etanol de milho oferece uma alternativa de comercialização com contratos de longo prazo, conferindo maior previsibilidade financeira. O ConexRS segue acompanhando de perto as movimentações do agronegócio e as inovações que moldam a economia brasileira. Continue conosco para se manter informado sobre as tendências que impactam o desenvolvimento do país.
Fonte: canalrural.com.br

