Tarcísio e Zucco marcam feito inédito com governadores oriundos do Exército

Tarcísio e Zucco marcam feito inédito com governadores oriundos do Exército

Política

Uma nova configuração no poder executivo estadual

O cenário político brasileiro alcançou um marco inédito desde a redemocratização. Com o encerramento das eleições de 2026, o país terá, pela primeira vez, dois governadores oriundos das fileiras do Exército Brasileiro ocupando simultaneamente o comando de estados estratégicos. A reeleição de Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo, somada à vitória de Luciano Zucco (PL) no Rio Grande do Sul, consolida uma presença militar de alta patente no Executivo que não possui precedentes históricos recentes.

Este movimento ocorre em um momento de reacomodação política, logo após o período de intensa militarização que acompanhou a ascensão do bolsonarismo. O fato ganha contornos adicionais de relevância por acontecer logo após a condenação e prisão de oficiais de alta patente das Forças Armadas envolvidos na tentativa de golpe de 2022, um divisor de águas na relação entre a caserna e a política institucional brasileira.

Conexão histórica na formação militar

Além da trajetória política, Tarcísio de Freitas, de 51 anos, e Luciano Zucco, de 52, compartilham uma origem comum: ambos são egressos da mesma turma da Academia Militar das Agulhas Negras (Aman). A conclusão do curso, que os formou aspirantes a oficiais, ocorreu em 1996. A turma de 96 da Aman tornou-se um celeiro de nomes influentes na política e na gestão pública nacional.

Entre os colegas de farda que também ocupam cargos de relevância estão Wagner Rosário, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo e ex-ministro da Controladoria-Geral da União, e Arthur Lima, atual secretário de Justiça do governo paulista. Essa rede de contatos e a formação técnica compartilhada marcam o estilo de gestão que ambos imprimem em suas administrações.

Trajetórias distintas na política

Embora tenham surfado na mesma onda bolsonarista de 2018, os caminhos de Tarcísio e Zucco até o Palácio do Governo foram distintos. Tarcísio de Freitas iniciou sua transição para o serviço público civil ainda em 2008, distanciando-se da carreira militar muito antes de assumir o Ministério da Infraestrutura. Já Zucco seguiu um caminho de transição mais imediata, saindo dos quartéis diretamente para a disputa eleitoral.

A estratégia de comunicação também variou entre os dois. Zucco, em suas primeiras investidas eleitorais, utilizou sua patente de forma ostensiva nas urnas, apresentando-se como “Tenente-coronel Zucco”. O uso da patente, que em momentos anteriores gerou controvérsias e embates com as normas militares, parece ter perdido força entre os candidatos em 2026, sinalizando uma mudança na forma como o eleitorado e a própria classe política lidam com a identidade militar nas cédulas.

Repercussão e contexto democrático

A ascensão de dois governadores militares ocorre em um ambiente de vigilância democrática mais rigorosa. A trajetória de Zucco, que contou com o apoio explícito do general Hamilton Mourão ainda em 2018 — episódio que chegou a gerar polêmica por envolver militares fardados em propaganda eleitoral —, contrasta com a imagem de gestor técnico que Tarcísio buscou construir ao longo de seus mandatos em São Paulo.

Acompanhar como esses dois governadores irão gerir seus estados, diante das expectativas de seus eleitores e da necessária harmonia com as instituições democráticas, será um dos pontos centrais da política nacional nos próximos anos. Para entender os desdobramentos dessa nova configuração de poder e as movimentações nos bastidores de Brasília e dos estados, continue acompanhando o ConexRS. Nosso compromisso é levar até você uma cobertura aprofundada, com a seriedade e a pluralidade que o debate público exige.

Para mais informações sobre o cenário político atual, consulte o portal Folha de S.Paulo.

Fonte: redir.folha.com.br