Entregas de fertilizantes recuam 22,3% em julho e acendem alerta no campo

Entregas de fertilizantes recuam 22,3% em julho e acendem alerta no campo

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O mercado brasileiro de insumos agrícolas registrou uma retração significativa no sétimo mês de 2026. De acordo com dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), as entregas de fertilizantes ao setor produtivo somaram 3,96 milhões de toneladas em julho, o que representa uma queda de 22,3% na comparação com o mesmo mês de 2025, quando o volume atingiu 5,09 milhões de toneladas.

Impactos na cadeia produtiva e cenário de importações

O recuo observado em julho não é um evento isolado, mas parte de uma tendência que se consolidou ao longo do ano. No acumulado de janeiro a julho, o volume total entregue alcançou 22,98 milhões de toneladas, uma redução de 8,8% em relação às 25,21 milhões de toneladas registradas no mesmo período do ano anterior. Esse cenário reflete uma combinação de fatores, incluindo a instabilidade geopolítica internacional, que impactou diretamente o fluxo de novos negócios a partir de maio, após o início da guerra no Irã.

A entidade destaca que o primeiro trimestre ainda contou com o suporte da safra de milho, mantendo o ritmo de compras dentro da normalidade. Contudo, o arrefecimento posterior gerou um efeito cascata que culminou em importações mais lentas e uma redução no poder de compra dos produtores. O mês de setembro é apontado pela Anda como um período estratégico para o monitoramento dos estoques disponíveis, essenciais para garantir o abastecimento dos próximos ciclos de aplicação.

Distribuição regional e foco em nutrientes

No mapeamento por estados, o Mato Grosso segue na liderança isolada do consumo, respondendo por 5,83 milhões de toneladas, ou 25,4% do total nacional acumulado até julho. O ranking de entregas é completado por Paraná (2,60 milhões), Goiás (2,45 milhões), São Paulo (2,36 milhões), Rio Grande do Sul (1,70 milhão), Bahia (1,65 milhão) e Minas Gerais (1,64 milhão).

Um ponto de atenção especial recai sobre os fertilizantes nitrogenados. As importações de nitrogênio — incluindo ureia, sulfato de amônio e nitrato de amônio — apresentaram uma queda de aproximadamente 20% nos primeiros oito meses de 2026. Historicamente, o segundo semestre é marcado pela aceleração das aquisições deste grupo, visando o planejamento das safras futuras e a nutrição do milho, o que torna o desempenho dos próximos meses um termômetro fundamental para a produtividade agrícola nacional.

Produção nacional e logística portuária

A indústria local também sentiu os efeitos da retração. A produção nacional de fertilizantes intermediários atingiu 517 mil toneladas em julho, uma queda de 19,9% na comparação anual. No acumulado do ano, a produção somou 3,34 milhões de toneladas, recuo de 19,7%. Paralelamente, as importações de intermediários seguiram a mesma trajetória de baixa, com 3,54 milhões de toneladas em julho (queda de 21,4%) e 21,23 milhões de toneladas no acumulado do ano (retração de 7,6%).

A logística portuária, vital para o escoamento e entrada de insumos, também registrou números menores. O porto de Paranaguá, principal porta de entrada de adubos no Brasil, movimentou 5,40 milhões de toneladas entre janeiro e julho, volume 10% inferior ao registrado no mesmo período de 2025. O terminal, que responde por mais de um quarto de todo o volume importado pelo país, ilustra o desafio logístico e comercial que o setor enfrenta para manter a regularidade dos insumos no campo.

O ConexRS segue acompanhando de perto os desdobramentos do mercado de insumos e o impacto desses números na safra brasileira. Continue conectado ao nosso portal para obter análises aprofundadas, dados atualizados e informações relevantes sobre os setores que movem a economia do país.

Fonte: canalrural.com.br