O cenário do agronegócio em Mato Grosso caminha para uma mudança estrutural significativa. Pela primeira vez desde o início da série histórica do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), iniciada no ciclo 2022/23, o consumo interno de milho deve ultrapassar o volume destinado às exportações. A projeção, detalhada no relatório de oferta e demanda divulgado nesta segunda-feira (5), aponta para uma nova dinâmica na economia estadual durante a safra 2026/27.
Crescimento da demanda interna e transformação industrial
A estimativa para o próximo ciclo indica uma demanda interna de 27,09 milhões de toneladas, o que representa um salto de 16,20% em comparação com a safra 2025/26. Esse movimento é impulsionado, principalmente, pela competitividade do cereal na cadeia de proteína animal. A transformação do grão em ração dentro do próprio estado tem se consolidado como uma estratégia robusta para agregar valor à produção local, reduzindo a dependência das oscilações do mercado externo.
Em contrapartida, as exportações estão projetadas em 17,50 milhões de toneladas. Para compreender a magnitude dessa inversão, basta observar os números de 2022/23, quando o estado consumiu 15,08 milhões de toneladas e enviou 29,98 milhões para fora do país. A diferença entre o consumo e o volume exportado deve atingir 9,59 milhões de toneladas em 2026/27, evidenciando que o milho mato-grossense está sendo cada vez mais processado em solo brasileiro.
Desafios na oferta e produtividade
Embora a demanda interna esteja em ascensão, o setor enfrenta desafios no campo. O Imea manteve a projeção de área plantada em 7,48 milhões de hectares, um crescimento tímido de 0,59%. No entanto, a produtividade estimada é de 119,64 sacas por hectare, o que reflete um recuo de 8,05% frente ao ciclo anterior. Fatores climáticos, como a influência do fenômeno El Niño, além de variações de temperatura e o rigor na janela de semeadura, permanecem como variáveis críticas para o sucesso da colheita.
A produção total esperada para 2026/27 é de 53,68 milhões de toneladas, uma queda de 7,50% em relação às 58,04 milhões de toneladas observadas em 2025/26. Somado ao estoque inicial, o volume total ofertado deve atingir 54,29 milhões de toneladas. Com a demanda total estimada em 54,09 milhões de toneladas, o estoque final previsto é de apenas 199,93 mil toneladas, um volume que, na prática, representa menos de dois dias da necessidade de consumo total do estado.
Impactos no mercado e perspectivas futuras
A redução na competitividade do milho mato-grossense no mercado internacional já é sentida no ciclo atual, com exportações abaixo dos níveis registrados na temporada passada. Além disso, o fluxo interestadual também deve sofrer retração, caindo de 11,00 milhões para 9,50 milhões de toneladas. Essas mudanças indicam que Mato Grosso está ajustando sua logística e sua capacidade de processamento para atender um mercado interno que demanda cada vez mais insumos para a produção de proteína.
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Fonte: canalrural.com.br

