A estreia do Missão nas urnas brasileiras
Em sua primeira disputa eleitoral como legenda oficialmente registrada, o Missão, sigla liderada pelo candidato à Presidência Renan Santos, encerrou o pleito de 2026 com um desempenho abaixo das expectativas de expansão nacional. O partido, que nasceu sob a influência do Movimento Brasil Livre (MBL), conseguiu eleger apenas dois parlamentares, focando sua representação no estado de São Paulo.
Apesar da estrutura montada para o alcance nacional, o resultado reflete a dificuldade de novos partidos em consolidar votos fora de seus redutos tradicionais. A legenda lançou ao menos 502 candidatos em 25 estados e no Distrito Federal, apostando em uma capilaridade que não se traduziu em cadeiras legislativas proporcionais.
Estratégia de expansão e distribuição de candidaturas
O planejamento do Missão para 2026 foi ambicioso. A distribuição das 502 candidaturas seguiu uma lógica regional, com o Sudeste concentrando 185 nomes, seguido pelo Sul (123), Nordeste (115), Centro-Oeste (46) e Norte (33). O partido disputou 316 vagas na Câmara dos Deputados, 172 em Assembleias Legislativas ou na Câmara do Distrito Federal, além de lançar nomes para nove governos estaduais e cinco para o Senado.
A tentativa de ocupar o espectro político nacional, contudo, esbarrou na falta de tempo de televisão e na dependência quase exclusiva do engajamento digital. Sem o acesso facilitado aos meios tradicionais de propaganda eleitoral, a campanha adotou um tom de confronto, utilizando discursos radicais e ações performáticas em debates para tentar furar a bolha das redes sociais.
O desempenho em São Paulo e o papel de Kim Kataguiri
O principal nome eleito pela sigla foi Kim Kataguiri, reeleito deputado federal por São Paulo. Com cerca de 520 mil votos, ele garantiu a quarta posição entre os mais votados do estado, ficando atrás de nomes como Lucas Pavanato (PL), Erika Hilton (PSOL) e Sâmia Bomfim (PSOL). Kataguiri, que migrou do União Brasil para o Missão durante a janela partidária, consolidou-se como o principal ativo político da legenda.
Além da Câmara Federal, o partido conquistou uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo com Rafa Minato, ex-subprefeito da Vila Mariana. A vitória de Minato reforça a concentração de forças do partido na capital paulista, onde o MBL possui sua base histórica mais resiliente.
Confronto e repercussão no cenário político
A postura de Renan Santos durante a campanha foi marcada por episódios de tensão. Em agosto, no debate da Band, o candidato utilizou fraldas geriátricas para criticar a ausência de adversários, como Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). A estratégia de tumulto também se estendeu à relação com a imprensa, incluindo protestos em frente à sede da TV Globo após ter sua participação barrada em debates da emissora.
Após a apuração do primeiro turno, o tom de Renan Santos permaneceu combativo. Em uma live realizada neste domingo, o líder do partido criticou o cenário político nacional, sinalizando que a legenda deve manter sua postura de oposição radical no próximo ciclo legislativo. Para acompanhar os desdobramentos da política nacional e os próximos passos dos partidos recém-formados, continue acompanhando o ConexRS, seu portal de informação relevante e contextualizada.
Fonte: redir.folha.com.br

