JP Morgan recomenda venda de ações do Banco do Brasil e aponta Bradesco como nova aposta

JP Morgan recomenda venda de ações do Banco do Brasil e aponta Bradesco como nova aposta

Economia

O otimismo que impulsionou as ações do Banco do Brasil (BBAS3) durante o recente rali eleitoral encontrou um obstáculo importante. Em relatório divulgado nesta semana, o JP Morgan, um dos maiores bancos de investimento do mundo, alterou sua perspectiva para a instituição estatal, rebaixando a recomendação dos papéis para underweight — equivalente a uma recomendação de venda. A avaliação reflete uma cautela sobre a velocidade da recuperação operacional do banco frente à euforia observada no mercado.

Apesar de um ajuste marginal no preço-alvo, que passou de R$ 22 para R$ 23, os analistas do banco norte-americano projetam um cenário desafiador para o BB até o final de 2027. A reação dos investidores foi imediata: no pregão desta quarta-feira (6), os papéis da instituição registraram queda acentuada de 6,08%, sendo negociados a R$ 24,73 por volta das 14h05, em um movimento de realização de lucros após as altas recentes.

Desafios operacionais e a exposição ao setor rural

O diagnóstico do JP Morgan aponta que o rali das ações do Banco do Brasil antecipou uma recuperação que, na prática, ainda deve demorar a se consolidar. Segundo a análise, o ano de 2027 permanece como um período de transição difícil, com sinais de melhora mais robusta previstos apenas para 2028. Um dos pontos centrais dessa tese é a alta exposição da instituição ao agronegócio.

A carteira de crédito rural tem sofrido com a deterioração da qualidade dos ativos, um fator que pressiona tanto a rentabilidade quanto a capacidade de distribuição de dividendos. Além disso, o banco cita riscos climáticos persistentes, como os efeitos do fenômeno El Niño, e a percepção de que a atual rentabilidade e a posição de capital do banco estão aquém dos patamares históricos, o que limita a expansão de múltiplos.

Outro ponto de atenção é a dinâmica dos juros. Embora a queda da taxa Selic seja frequentemente vista como positiva para o setor bancário, o JP Morgan argumenta que o Banco do Brasil pode ser menos beneficiado que seus pares privados. Historicamente, a estatal aproveitou-se de juros mais altos devido ao seu baixo custo de captação e excesso de liquidez, fatores que podem ser comprimidos em um cenário de política monetária mais frouxa.

Bradesco ganha destaque com plano de recuperação

Enquanto adota uma postura defensiva em relação ao Banco do Brasil, o JP Morgan realizou o movimento inverso com o Bradesco (BBDC4). A recomendação para o banco privado foi elevada de neutra para overweight (compra), com o preço-alvo subindo de R$ 22 para R$ 26, o que representa um potencial de valorização de 19%.

Para os analistas, o Bradesco apresenta uma tese de recuperação mais madura. A instituição tem demonstrado avanços concretos na gestão de custos, redução do custo de risco e recuperação das margens financeiras. O banco acredita que o mercado já precificou boa parte dos desafios imediatos da instituição, tornando o valuation atual mais atraente para o investidor que busca uma virada operacional.

Itaú mantém posto de favorito entre os grandes bancos

Apesar das mudanças nas recomendações para o Banco do Brasil e Bradesco, o JP Morgan reafirmou sua confiança no Itaú Unibanco (ITUB4). O banco manteve a recomendação de compra para o papel, com preço-alvo de R$ 60, sinalizando um potencial de alta de 21%.

A preferência pelo Itaú sustenta-se na sua elevada rentabilidade e na capacidade demonstrada pela instituição em capturar oportunidades tanto na atividade econômica quanto no mercado de capitais. Para o investidor, o cenário desenhado pelo JP Morgan sugere uma rotação de carteira, priorizando instituições com teses de recuperação mais avançadas ou com maior solidez operacional em momentos de volatilidade.

O mercado financeiro segue dinâmico e sujeito a revisões constantes. Para acompanhar os desdobramentos sobre o desempenho das ações, as análises dos grandes bancos e o impacto das decisões econômicas no seu patrimônio, continue acompanhando o ConexRS. Nosso compromisso é levar até você informação qualificada, contextualizada e relevante para que suas decisões sejam sempre bem fundamentadas.

Fonte: seudinheiro.com