Crescimento conservador pode redefinir prioridades do Congresso, aponta especialista

Crescimento conservador pode redefinir prioridades do Congresso, aponta especialista

Política

As eleições de 2026 trouxeram uma mudança significativa no cenário político brasileiro, com o aumento da representação de partidos conservadores no Congresso Nacional e nos governos estaduais. Esse fenômeno é visto como uma resposta do eleitorado a questões cotidianas, segundo o economista e doutor em ciência política Jeferson Ramos dos Santos, da Universidade de Brasília (UnB).

Temas dominantes nas campanhas regionais

As campanhas eleitorais priorizaram temas como segurança pública, custo de vida, valores e família, que se destacaram nas regiões onde os conservadores conquistaram cadeiras no Senado, nas assembleias estaduais e na Câmara dos Deputados. Jeferson Ramos dos Santos observa que essas pautas refletem um recado claro do eleitorado, embora, segundo ele, não tenham sido abordadas de forma adequada pelo governo federal.

Impacto do STF nas eleições

Apesar de uma recente crise no Supremo Tribunal Federal (STF), o impacto desse tema nas eleições foi considerado menor. “O STF não vai às urnas, então o impacto eleitoral direto foi reduzido”, explica o professor. No entanto, ele prevê que o STF será alvo de discussões no Senado, com a nova maioria conservadora podendo propor mudanças no desenho institucional do Supremo e na extensão do poder dos ministros.

Discussões trabalhistas e a escala 6×1

Uma das pautas trabalhistas em destaque é o fim da escala 6×1, com votação prevista para esta semana. Com a nova composição do Congresso, Jeferson Ramos dos Santos acredita que o ritmo de votação e o perfil das propostas podem mudar. “O quadro político mudou sensivelmente, e é comum que haja postergações até que o cenário fique mais claro”, comenta.

Disputa presidencial acirrada

O segundo turno das eleições presidenciais promete ser competitivo, com Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP) disputando a presidência com uma diferença mínima de votos. A abstenção recorde também é um fator a ser considerado, com milhões de eleitores ainda não posicionados. “A campanha está aberta, e uma nova eleição se coloca na praça”, afirma o especialista.

Perspectivas para a agenda legislativa

O resultado da eleição presidencial poderá influenciar a agenda da nova legislatura. Uma vitória conservadora pode direcionar o foco para temas de segurança pública e valores, enquanto uma vitória progressista pode equilibrar ou redirecionar essas pautas. “O resultado da eleição presidencial vai impactar a agenda legislativa, seja para reequilibrar ou para empurrá-la ainda mais à direita”, conclui Jeferson Ramos dos Santos.

O horário eleitoral para o segundo turno começará nesta sexta-feira, com os candidatos à Presidência e aos governos estaduais realizando propaganda até 23 de outubro.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br