O procurador-geral da República, Paulo Gonet Branco, encaminhou nesta terça-feira (6) um parecer ao Supremo Tribunal Federal (STF) sinalizando apoio à liberação das visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL) ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O ex-mandatário cumpre atualmente pena em regime de prisão domiciliar, medida estabelecida após desdobramentos judiciais relacionados a processos por tentativa de golpe de Estado.
A manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) ocorre em resposta a uma solicitação do ministro Alexandre de Moraes, que havia determinado a abertura de vista para que o órgão se posicionasse sobre o pedido da defesa. O pleito dos advogados de Bolsonaro busca o restabelecimento do contato presencial entre pai e filho, que estava suspenso por uma decisão judicial anterior.
Contexto da restrição e o parecer da PGR
A proibição das visitas havia sido imposta em julho deste ano, após a identificação de que Flávio Bolsonaro utilizou as redes sociais para divulgar uma carta escrita pelo pai. Como o ex-presidente cumpre uma medida cautelar que veda o uso da internet — inclusive por intermédio de terceiros —, o magistrado entendeu que a conduta violava as regras do regime domiciliar.
Em seu parecer, Paulo Gonet Branco argumentou que não existem novos elementos que justifiquem a continuidade da restrição. “Considerando a ausência de fatos supervenientes indicativos de descumprimento das condições fixadas ou da necessidade de prorrogação da medida restritiva anteriormente determinada, a Procuradoria-Geral da República não opõe óbice ao deferimento do pleito formulado”, pontuou o procurador-geral.
Argumentos da defesa e situação jurídica
A defesa do ex-presidente sustenta que a punição de 90 dias imposta por Alexandre de Moraes está próxima de expirar, com validade prevista até o dia 11 de outubro. Segundo os advogados, a manutenção do isolamento não se mostra mais necessária, solicitando que o restabelecimento das visitas ocorra de forma imediata.
O cenário jurídico de Jair Bolsonaro é complexo. Em 2025, o ex-presidente foi condenado a 27 anos e três meses de reclusão no âmbito do processo que investiga a trama golpista. Após passar por um procedimento cirúrgico, ele obteve o direito de converter o regime fechado para a prisão domiciliar, medida que também leva em conta seu atual quadro de saúde, marcado por uma pneumonia bacteriana.
Desdobramentos no cenário político
O caso reflete a constante tensão entre as decisões do STF e a atuação política dos aliados do ex-presidente. Além deste episódio, a família Bolsonaro tem enfrentado outros reveses judiciais, como a recente multa aplicada ao senador Flávio Bolsonaro pelo ministro Kassio Nunes Marques, decorrente do impulsionamento de publicações negativas contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A decisão final sobre o retorno das visitas agora cabe ao ministro relator no STF. O desfecho deste pedido é acompanhado de perto por observadores da política nacional, dado o peso simbólico e estratégico que as interações familiares possuem no núcleo do bolsonarismo. Para acompanhar os desdobramentos deste e de outros temas relevantes da política e do judiciário brasileiro, continue conectado ao ConexRS, seu portal de informação com credibilidade e análise aprofundada.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

