Marqueteiro aponta impacto de decisão do TSE no resultado das eleições estaduais

Marqueteiro aponta impacto de decisão do TSE no resultado das eleições estaduais

Política

A reta final das eleições de 2026 foi marcada por uma reviravolta que, segundo especialistas em comunicação política, teve raízes em decisões judiciais de alto impacto. O publicitário Paulo Vasconcelos, responsável pela estratégia de campanha de Douglas Ruas (PL), presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), afirmou que a alteração nas regras dos debates eleitorais pela ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), foi um divisor de águas que beneficiou candidaturas da direita, incluindo a do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

O peso das decisões judiciais no comportamento do eleitor

Para Vasconcelos, a decisão que resultou no cancelamento do debate da TV Globo não foi apenas um evento técnico, mas um fato político de grandes proporções. O marqueteiro traçou um paralelo direto com o episódio envolvendo a ex-deputada Carla Zambelli na véspera do segundo turno de 2022. Na visão do estrategista, o ato de censura percebido pelo eleitorado conservador funcionou como um catalisador de votos que estavam, até então, acomodados.

O impacto, segundo o publicitário, transbordou a disputa presidencial e atingiu em cheio os pleitos estaduais. “A canetada da juíza dá aquele voto de censura, mudando completamente o que se via em todos os debates históricos”, pontuou. O cancelamento, embora ocorra em um cenário onde a audiência televisiva já não possui o mesmo peso de décadas passadas, manteve seu valor simbólico como um “final de campeonato” no calendário eleitoral.

A dinâmica das redes sociais e o mito do alcance orgânico

Além da influência do Judiciário, Vasconcelos trouxe uma reflexão sobre a eficácia das plataformas digitais. O publicitário sustenta que a ideia de que o engajamento orgânico define eleições é um “mito que morre nesta eleição”. Segundo ele, a estratégia de comunicação baseada apenas em conteúdo natural é limitada, pois acaba falando apenas para quem já está convertido à causa do candidato.

O verdadeiro motor das campanhas digitais, na análise de Vasconcelos, reside no tráfego pago. Essa ferramenta permite que a mensagem rompa a bolha dos apoiadores fiéis e alcance o eleitor indeciso ou aquele que ainda não havia definido seu voto. Essa percepção reforça a necessidade de um planejamento financeiro robusto e estratégico para o impulsionamento de conteúdos em um ambiente digital cada vez mais saturado.

O efeito cascata nas disputas regionais

A análise do marqueteiro aponta que o movimento de “voto inconformado” de última hora não foi um fenômeno isolado. Candidatos como Cleitinho, em Minas Gerais, e Sergio Moro, no Paraná, teriam sido beneficiados por essa onda de reta final. No Rio de Janeiro, o próprio Douglas Ruas teria registrado um crescimento expressivo de 10 pontos percentuais nos dias que antecederam o pleito, impulsionado pela combinação entre o alinhamento com figuras de direita e a reação do eleitorado aos eventos da última semana.

Esse cenário demonstra como a política brasileira permanece suscetível a fatos externos que, embora não previstos nos planos de mídia originais, alteram a percepção pública e a distribuição de votos. Acompanhar a evolução dessas estratégias e o impacto das decisões institucionais é fundamental para compreender a dinâmica do poder no país. Continue acompanhando o ConexRS para análises aprofundadas sobre o cenário político e as movimentações que definem o futuro do Brasil.

Fonte: redir.folha.com.br