Exportações de carne bovina alcançam 2,43 milhões de toneladas no acumulado de 2026

Exportações de carne bovina alcançam 2,43 milhões de toneladas no acumulado de 2026

Geral

Cenário das exportações brasileiras em 2026

O setor de proteína animal do Brasil enfrenta um momento de reconfiguração estratégica em seus mercados internacionais. De acordo com dados consolidados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), com base em registros do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o país atingiu a marca de 2,43 milhões de toneladas de carne bovina exportadas entre janeiro e setembro de 2026. O volume financeiro acumulado no período alcançou US$ 14,17 bilhões.

Embora o saldo acumulado nos nove meses iniciais do ano apresente estabilidade em volume — com uma variação negativa de apenas 0,5% frente ao mesmo período de 2025 — a receita total registrou um crescimento expressivo de 14,1%. Esse desempenho reflete a capacidade da indústria nacional em diversificar destinos e ajustar sua oferta em um cenário global de demanda volátil.

Impacto da retração no mercado chinês

O mês de setembro de 2026 foi marcado por um desafio específico: a queda acentuada nas vendas para a China. O principal parceiro comercial do Brasil importou 12,9 mil toneladas no período, gerando uma receita de US$ 75,2 milhões. Esses números representam uma redução de 93,2% em volume e 92,9% em valor na comparação direta com setembro de 2025.

Segundo o presidente da ABIEC, Roberto Perosa, o resultado negativo do terceiro trimestre é um reflexo direto dessa restrição nas compras chinesas. Enquanto o primeiro semestre de 2026 foi caracterizado por um avanço robusto na produção e no processamento, os meses de julho, agosto e setembro impuseram uma desaceleração forçada nos embarques destinados ao país asiático, forçando o setor a buscar alternativas imediatas.

Diversificação de mercados como estratégia

Para mitigar a dependência do mercado chinês, que ainda responde por 37,5% do volume total exportado no ano, o Brasil intensificou as vendas para outras regiões. O destaque de setembro ficou com os Estados Unidos, que ampliaram suas importações de carne brasileira em 389%, totalizando 48,3 mil toneladas e US$ 313,8 milhões em receita.

Outros mercados também demonstraram resiliência e crescimento. O Chile consolidou-se como um comprador relevante, com 19,4 mil toneladas, seguido pela União Europeia, que adquiriu 20 mil toneladas, e pela Rússia, com 13,1 mil toneladas. A carne bovina in natura continua sendo o carro-chefe das exportações, representando 85,1% do volume total embarcado no mês, complementada por miúdos, produtos industrializados e gorduras.

Perspectivas para o setor

A resiliência demonstrada pelos números acumulados até setembro sugere que a cadeia produtiva brasileira possui maturidade para lidar com oscilações pontuais em grandes mercados. A estratégia de manter fluxos comerciais ativos com múltiplos parceiros globais tem sido o pilar para sustentar a receita cambial do setor, mesmo diante de quedas drásticas em destinos específicos.

O ConexRS segue acompanhando de perto os movimentos do agronegócio brasileiro e os desdobramentos das políticas comerciais que impactam a economia nacional. Para se manter informado sobre as tendências, análises de mercado e os principais fatos que movimentam o país, continue acompanhando nossas publicações diárias e aprofundadas sobre o setor produtivo.

Fonte: canalrural.com.br