Mercado de soja mantém ritmo lento, mas preços reagem no Rio Grande do Sul

Mercado de soja mantém ritmo lento, mas preços reagem no Rio Grande do Sul

Geral

O mercado brasileiro de soja atravessa um período de estagnação na comercialização, com a quarta-feira (7) marcada por um volume reduzido de negócios. Segundo analistas, a disparidade entre as expectativas de produtores e compradores — o chamado spread — permanece elevada, o que trava o fluxo de vendas no mercado físico nacional.

Enquanto a liquidez segue baixa, o cenário regional apresenta nuances distintas. O Rio Grande do Sul, por exemplo, registrou uma leve valorização nas cotações em praças estratégicas, na contramão de outras regiões produtoras que enfrentaram estabilidade ou recuos pontuais. A dinâmica reflete a cautela dos agentes frente à volatilidade cambial e às incertezas externas.

Divergências regionais e o impacto do câmbio

No mercado físico, o comportamento dos preços foi heterogêneo. Em Passo Fundo (RS), a saca subiu de R$ 147,40 para R$ 148,00, enquanto em Santa Rosa (RS) o valor avançou de R$ 148,40 para R$ 149,00. O porto de Rio Grande também acompanhou o movimento positivo, atingindo R$ 157,00.

Em contrapartida, praças como Dourados (MS) e Rio Verde (GO) registraram quedas, com os preços chegando a R$ 141,00 e R$ 140,00, respectivamente. A oscilação do dólar comercial, que fechou o dia em alta de 0,74%, cotado a R$ 5,0142, exerce uma pressão direta sobre a paridade de exportação, influenciando as decisões de venda dos produtores rurais.

Expectativas sobre o relatório do USDA

O ambiente internacional, especialmente na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), adiciona uma camada de incerteza ao setor. Os contratos futuros da soja encerraram o dia com perdas, pressionados pela expectativa do próximo relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), previsto para esta sexta-feira.

O mercado projeta ajustes nas estimativas para a safra norte-americana de 2026/27, com a produção esperada em 4,541 bilhões de bushels. Além disso, a ausência de compras significativas por parte da China, devido a feriados locais, contribui para o viés baixista observado nos contratos de grãos e óleo, embora o farelo tenha apresentado valorização.

Comportamento dos contratos futuros

Os contratos com vencimento em novembro de 2026 recuaram 0,42%, cotados a US$ 12,97 1/2 por bushel. A posição para janeiro de 2027 também fechou em baixa, a US$ 13,14 1/2 por bushel. Nos derivados, o cenário foi misto: enquanto o farelo de soja para dezembro de 2026 subiu 3,10%, o óleo da mesma posição sofreu uma retração de 3,18%.

O cenário atual exige atenção redobrada dos produtores e investidores. Acompanhar as variações diárias e os desdobramentos das políticas globais é essencial para navegar em um mercado que, embora lento, segue em constante transformação. Continue acompanhando o ConexRS para manter-se informado com análises precisas sobre o agronegócio e os principais temas que movimentam a economia brasileira.

Fonte: canalrural.com.br