Conanda repudia exposição de criança com arma em ato político no Rio Grande do Norte

Conanda repudia exposição de criança com arma em ato político no Rio Grande do Norte

Política

Apuração e responsabilização sobre o uso de menores em atos

O Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), vinculado ao Ministério dos Direitos Humanos, manifestou nesta quarta-feira (7) um repúdio veemente à exposição de uma criança durante uma manifestação política em Parnamirim, no Rio Grande do Norte. O episódio, que ganhou repercussão nacional, envolveu um menor posicionado sobre o teto de um veículo enquanto segurava um objeto semelhante a uma arma de fogo.

Em nota oficial, o órgão cobrou das autoridades competentes uma apuração célere sobre o caso. O objetivo é identificar os responsáveis pela cena e avaliar a aplicação de medidas cabíveis, garantindo que adultos envolvidos na instrumentalização da criança sejam responsabilizados dentro do devido processo legal. Embora a natureza do objeto — se arma real ou simulacro — ainda esteja sob investigação, o conselho enfatiza que a conduta, por si só, configura uma violação grave aos direitos fundamentais do menor.

Proteção integral versus instrumentalização política

O episódio foi trazido ao debate público pelo ministro da Educação, Leonardo Barchini, que utilizou o registro para contrastar visões políticas distintas sobre o futuro do país. Ao compartilhar as imagens, o ministro defendeu que a infância deve ser pautada por proteção e acesso à educação, criticando o que classificou como uma cultura de glorificação da violência e do armamento precoce.

Para o Conanda, a participação de crianças na vida pública não pode servir como justificativa para sua transformação em peça de propaganda político-partidária. O conselho reforçou que o dever de proteção integral, previsto na Constituição Federal e no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), é absoluto e deve prevalecer sobre qualquer ideologia ou interesse eleitoral. Nenhuma celebração política, segundo o órgão, autoriza a exposição de menores a situações que coloquem em risco sua integridade física ou psíquica.

O que diz a legislação sobre a exposição de menores

A análise jurídica do caso deve se basear nos dispositivos do Estatuto da Criança e do Adolescente. O Conanda destacou que, caso a investigação comprove que o objeto entregue à criança era, de fato, uma arma de fogo, os responsáveis podem responder por infrações específicas previstas na legislação, que proíbe terminantemente a entrega de armamentos, munições ou explosivos a menores.

Mesmo que a perícia aponte para a utilização de um simulacro, o conselho argumenta que a exposição da criança a tal cenário já demanda medidas de proteção. Além disso, o órgão fez um apelo urgente para que a imagem e a identidade do menor sejam preservadas. A circulação desenfreada do vídeo nas redes sociais é vista como uma segunda camada de violação, que pode expor a criança a danos duradouros em sua vida pessoal e social.

O Conanda defende que a sociedade, a família e o Estado devem atuar de forma articulada para prevenir que episódios dessa natureza se repitam. A responsabilidade, segundo o conselho, é compartilhada e exige um compromisso ético inegociável com a dignidade da infância. O portal ConexRS segue acompanhando os desdobramentos desta investigação e os posicionamentos das autoridades sobre o caso, mantendo o compromisso com a informação contextualizada e a defesa dos direitos fundamentais.

Fonte: redir.folha.com.br