São Paulo mantém presença no ranking mundial de bares, mas Brasil ainda busca escala

São Paulo mantém presença no ranking mundial de bares, mas Brasil ainda busca escala

Economia

A cena da coquetelaria global voltou seus olhos para Milão, na Itália, na última quarta-feira (7), durante a aguardada cerimônia do The World’s 50 Best Bars 2026. O grande destaque da noite foi o Bar Leone, sediado em Hong Kong, que conquistou o topo do ranking pelo segundo ano consecutivo. O projeto, liderado pelo italiano Lorenzo Antinori, consolidou uma tendência que vem ganhando força na indústria: a valorização da hospitalidade descomplicada e do serviço ágil, distanciando-se do modelo de laboratório técnico que dominou o setor na última década.

A força da hospitalidade no topo do mundo

O sucesso do Bar Leone não é fruto do acaso, mas de uma mudança estratégica no comportamento do consumidor. Ao resgatar o conceito de cocktail popolari, inspirado na efervescência dos bares de bairro de Roma, Antinori provou que a excelência não precisa de complexidade excessiva para brilhar. A operação, que também conta com o Montana — 36º colocado na mesma lista —, prioriza a experiência do cliente, a trilha sonora envolvente e a execução impecável de clássicos, provando que o acolhimento é o ingrediente mais valioso de um balcão.

O cenário brasileiro na vitrine global

Para o Brasil, o resultado trouxe motivos para celebrar, ainda que com ressalvas sobre a escala de representatividade. O paulistano Exímia, comandado por Márcio Silva no Itaim Bibi, garantiu a 20ª posição, enquanto o TanTan, em Pinheiros, sob o comando de Thiago Bañares, assegurou o 35º lugar. A presença desses nomes mantém São Paulo no mapa da coquetelaria de elite, mas especialistas apontam um desafio persistente: a dificuldade do país em ampliar sua participação de forma consistente.

Historicamente, o Brasil tem visto um movimento de substituição entre seus representantes, em vez de uma expansão robusta. Nomes como SubAstor e Frank Bar já ocuparam posições de destaque, seguidos pelo marco alcançado pelo Guilhotina Bar em 2019, quando chegou ao 15º lugar sob a liderança de Márcio Silva. A trajetória atual de Silva, agora à frente do Exímia, reflete a resiliência de profissionais que buscam manter a relevância em um mercado extremamente competitivo e dinâmico.

Geopolítica e novos eixos da coquetelaria

A edição de 2026 do ranking evidenciou que a América Latina continua sendo um celeiro de inovação. Além dos brasileiros, o Alquímico, em Cartagena, Colômbia, alcançou o terceiro lugar e foi premiado com o Michter’s Art of Hospitality Award, um reconhecimento direto à qualidade do serviço. O México também se destacou com o Handshake Speakeasy (6º) e o Bar Mauro (10º), enquanto a Argentina marcou presença com o Tres Monos (21º) e o Victor Audio Bar (31º).

A diversidade geográfica do 50 Best Bars reforça que a criatividade não está restrita aos polos tradicionais da Europa e dos Estados Unidos. Projetos como o Mimi Kakushi, em Dubai, e o Front/Back, em Acra, Gana, demonstram que a identidade cultural e a valorização de ingredientes locais são os novos motores de crescimento da coquetelaria mundial. Para o Brasil, o caminho para uma presença mais expressiva parece passar pelo fortalecimento dessas mesmas raízes, aliando a técnica apurada à hospitalidade que é marca registrada do país.

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Fonte: seudinheiro.com