Braquiária Mavuno demonstra eficiência na proteção do milho e ganho para soja

Braquiária Mavuno demonstra eficiência na proteção do milho e ganho para soja

Agro

A escolha estratégica de plantas de cobertura tornou-se um dos pilares para a sustentabilidade e a rentabilidade nas lavouras brasileiras. Recentemente, estudos conduzidos por instituições de peso, como a UNESP, o GAPES ICT e a Universidade Estadual de Maringá (UEM), trouxeram novas evidências sobre o desempenho da braquiária híbrida Mavuno. A pesquisa aponta que a cultivar consegue equilibrar a produção de biomassa com a preservação da produtividade da cultura principal, além de oferecer benefícios diretos para a soja cultivada em sucessão.

Equilíbrio no consórcio e produtividade do milho

Um dos maiores desafios no sistema de integração lavoura-pecuária é evitar que a forrageira compita por recursos essenciais com a cultura comercial. Em um experimento realizado na Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da UNESP, em Jaboticabal (SP), o milho consorciado com a braquiária Mavuno manteve níveis de produtividade estatisticamente equivalentes aos do milho cultivado isoladamente.

O dado contrasta com o desempenho observado em consórcios com a Urochloa ruziziensis, que apresentou uma redução de cerca de 13% na produtividade dos grãos. Na prática, o uso da Mavuno resultou em uma colheita superior de 1.332 quilos por hectare — o equivalente a 22 sacas de 60 quilos. Especialistas atribuem esse sucesso ao desenvolvimento inicial mais equilibrado da híbrida, que minimiza a disputa por luz, água e nutrientes durante a fase crítica de estabelecimento da cultura do milho.

Impactos positivos na sucessão com soja

Além do milho, a influência da cobertura no rendimento da soja subsequente foi monitorada pelo GAPES ICT, em Rio Verde (GO). Os resultados indicaram que áreas que utilizaram a Mavuno como cobertura alcançaram 83,7 sacas por hectare, superando em 6,6 sacas o rendimento da área de referência utilizada no estudo.

O levantamento também destacou o desempenho de um mix de cobertura desenvolvido pela Wolf Seeds, que incluiu a Mavuno em conjunto com crotalária, nabo forrageiro, milheto e feijão-guandu. Este manejo atingiu 85,2 sacas por hectare, reforçando que a qualidade da palhada e as características biológicas da cobertura são tão importantes quanto o volume total de biomassa produzido. A conclusão é que o planejamento agronômico deve priorizar o conjunto de benefícios proporcionados pela espécie ao longo de todo o ciclo produtivo.

Manejo biológico e controle de nematoides

A sanidade do solo é outro fator determinante para a longevidade da produtividade agrícola. Pesquisas conduzidas pela Araucária Soluções Agronômicas em parceria com a UEM avaliaram a interação da Mavuno com o Pratylenchus brachyurus, um nematoide causador de lesões radiculares que impacta severamente diversas culturas. Os dados revelaram uma redução significativa de 65,83% na população do parasita no solo e de 93,79% na densidade por grama de raiz.

Embora os resultados sejam promissores, técnicos reforçam que o uso da forrageira deve ser encarado como parte de uma estratégia integrada de manejo, e não como uma solução isolada. A escolha genética da planta de cobertura, portanto, passa a ser uma ferramenta de gestão econômica e técnica dentro da propriedade rural. Para acompanhar mais atualizações sobre tecnologia no campo e tendências do agronegócio, continue conectado ao ConexRS, seu portal de informação relevante e contextualizada.

Fonte: portaldoagronegocio.com.br