PT aciona TSE e pede cassação da chapa de Flávio Bolsonaro por uso de perfis de Marçal

PT aciona TSE e pede cassação da chapa de Flávio Bolsonaro por uso de perfis de Marçal

Política

A campanha do presidente Lula (PT) protocolou uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) buscando a cassação da chapa do candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O pedido baseia-se na acusação de uso irregular de perfis em redes sociais pertencentes a Pablo Marçal para a disseminação de propaganda eleitoral e conteúdos classificados como desinformativos.

Contexto da ação e alegações de irregularidade

O cerne da disputa jurídica reside na utilização de contas com grande alcance, como a de Marçal no Instagram, que soma 14,1 milhões de seguidores. Segundo a defesa do PT, a campanha de Flávio Bolsonaro teria cometido uma irregularidade ao não declarar esses perfis como canais oficiais de campanha perante o TSE. A legislação eleitoral impõe restrições específicas a contas oficiais, incluindo a vedação de impulsionamento algorítmico, prática que, segundo a petição, continua ocorrendo livremente no perfil do ex-candidato à Prefeitura de São Paulo.

A petição também solicita a suspensão liminar das redes sociais de Marçal e o bloqueio do site B22token. Este portal é apontado pela campanha petista como um instrumento de abuso de poder econômico, ao oferecer criptomoedas em troca do compartilhamento de mensagens e vídeos que incentivam o voto em Flávio Bolsonaro. A estratégia, revelada pela Folha de S.Paulo, coloca em xeque a transparência dos gastos e das ferramentas utilizadas na disputa eleitoral.

Repercussão e defesas dos envolvidos

A campanha de Flávio Bolsonaro nega qualquer vínculo formal com Pablo Marçal, definindo-o apenas como um apoiador político declarado. Em nota, a equipe do candidato ironizou o movimento petista, sugerindo que o PT deveria focar em suas próprias questões jurídicas, citando decisões recentes do TSE que determinaram a remoção de conteúdos publicados pelo próprio presidente e por aliados, como Janja, Lindbergh Farias e André Janones.

Por sua vez, Pablo Marçal classificou a investida como um reflexo de desespero por parte do PT. Em resposta, o ex-candidato afirmou que, como um “brasileiro livre”, não deve satisfações a partidos políticos e negou ter recebido qualquer notificação oficial sobre restrições às suas postagens. A aliança entre Marçal e Flávio foi anunciada publicamente em 29 de setembro, durante um evento conjunto que sinalizou a entrada do influenciador na campanha.

Impacto no debate eleitoral

A ação judicial destaca a crescente tensão sobre o uso de influenciadores digitais e a disseminação de conteúdos editados na reta final do pleito. Um dos pontos centrais da denúncia é a circulação de uma montagem que utiliza áudios de uma ligação de 2016 entre Lula e o prefeito do Rio, Eduardo Paes. A peça publicitária, segundo a acusação, teria sido editada para induzir o eleitorado evangélico a acreditar que o presidente teria proferido ofensas contra o segmento religioso.

O desdobramento desta Aije será acompanhado de perto pelo cenário político nacional, uma vez que a decisão do TSE poderá estabelecer precedentes importantes sobre o papel de influenciadores e o uso de ativos digitais em campanhas eleitorais. O ConexRS segue monitorando os desdobramentos desta disputa no Tribunal Superior Eleitoral e trará as atualizações sobre o impacto dessa decisão na corrida eleitoral. Acompanhe nosso portal para análises aprofundadas e informações verificadas sobre os principais temas que movimentam o Brasil.

Fonte: redir.folha.com.br