Mercado de feijão carioca reage e saca atinge R$ 345 em meio à retenção de oferta

Mercado de feijão carioca reage e saca atinge R$ 345 em meio à retenção de oferta

Agro

O mercado brasileiro de feijão encerrou a semana com dinâmicas distintas para as duas principais variedades consumidas no país. Enquanto o feijão carioca demonstrou uma recuperação na liquidez e nos preços, com negociações alcançando R$ 345 por saca para o padrão 9,5 na modalidade CIF São Paulo, o feijão preto manteve um ritmo de negócios mais contido, marcado pela cautela dos compradores e pela observação atenta ao desenvolvimento da safra 2026/27.

A reação observada no segmento do carioca não foi uniforme, concentrando-se principalmente nos lotes de maior qualidade. Após um início de semana em que a ausência de demanda pressionou as cotações para baixo, afastando-as da referência de R$ 360, os produtores optaram por uma estratégia de retenção. Essa postura, segundo analistas da Safras & Mercado, foi fundamental para sustentar os preços, embora o movimento ainda não possa ser classificado como uma tendência de alta consolidada.

Dinâmica de preços e qualidade no mercado de carioca

A formação de preços do feijão carioca segue estritamente os critérios de classificação. Lotes com nota 9,5 chegaram a ser negociados a R$ 345, com corretores testando o patamar de R$ 350. Para o padrão nota 9, as operações oscilaram entre R$ 335 e R$ 340, enquanto o tipo 8,5 registrou negócios a R$ 330. Em contrapartida, os produtos de qualidade inferior, como o nota 7,5, continuaram sob pressão, encontrando dificuldades para validar o piso de R$ 300.

O desempenho comercial do grão está diretamente atrelado a fatores como cor, umidade e rendimento no processamento. Lotes ressecados perderam competitividade, enquanto o produto que apresenta melhor performance industrial atrai o interesse imediato dos compradores. Nas regiões produtoras, como Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso, os valores FOB também refletiram essa busca por normalização das relações comerciais, com o interior paulista mantendo referências entre R$ 330 e R$ 335.

Cenário cauteloso para o feijão preto

Diferente do carioca, o feijão preto atravessa um momento de maior retração. Os compradores mantêm uma postura defensiva, o que limita a fluidez dos negócios. Na Zona Cerealista de São Paulo, os melhores padrões de feijão preto chegaram a referências próximas de R$ 290 por saca, enquanto o comercial bom oscilou entre R$ 260 e R$ 270. Lotes de qualidade inferior foram negociados em faixas ainda mais baixas, entre R$ 230 e R$ 250.

A instabilidade nos preços regionais, especialmente entre Paraná e Santa Catarina, evidencia a dependência da disponibilidade local e da necessidade de caixa dos produtores. Enquanto o Paraná registrou negócios pontuais de até R$ 265, o mercado catarinense apresentou valores abaixo dos R$ 260, ilustrando a fragmentação das negociações no atual momento da cadeia produtiva.

Perspectivas da safra 2026/27 e riscos climáticos

O mercado de feijão preto está fortemente condicionado ao progresso da primeira safra 2026/27. No Paraná, o plantio já atingiu 52% da área estimada, com a grande maioria das lavouras em boas condições. A projeção é de uma área de 88,3 mil hectares, o que representa uma redução de 14% em relação ao ciclo anterior. Apesar da menor área, a expectativa de produtividade é superior, estimada em 2.013 quilos por hectare.

Entretanto, o setor monitora com atenção os efeitos do fenômeno El Niño. O risco climático permanece como um fator de incerteza que pode impactar tanto o rendimento final quanto a qualidade do grão e o cronograma de implantação da segunda safra. A continuidade da recuperação dos preços dependerá da manutenção do fluxo de compras e da oferta de lotes que atendam aos rigorosos padrões de qualidade exigidos pelo mercado.

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Fonte: portaldoagronegocio.com.br