Violência política de gênero cresce no Brasil e atinge recorde de denúncias

Violência política de gênero cresce no Brasil e atinge recorde de denúncias

Política

O cenário eleitoral brasileiro de 2026 tem sido marcado por um aumento preocupante na violência política de gênero. Em um mês que reforça a luta contra a agressão às mulheres, dados oficiais e levantamentos de organizações da sociedade civil revelam que o ambiente democrático enfrenta um desafio estrutural: a tentativa sistemática de silenciar e intimidar candidatas e eleitas por meio de ameaças, ataques virtuais e violência física.

Números do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam uma escalada expressiva, com os processos envolvendo violência política de gênero saltando de 15, em 2022, para 177 em 2026 — um crescimento de 11 vezes. A recorrência desses episódios coloca em xeque a participação feminina nos espaços de poder, transformando o exercício da cidadania em um risco constante para milhares de brasileiras.

Ameaças e o impacto na representatividade feminina

O caso da deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG) ilustra a gravidade da situação. Aos 21 anos, a parlamentar, que se tornou a mulher mais votada da história de Minas Gerais para a Câmara dos Deputados, foi alvo de ameaças de morte e violência sexual durante o período de campanha. Além dos ataques machistas e racistas, a parlamentar teve dados pessoais expostos, o que obrigou o partido a reforçar sua segurança com escolta armada.

O fenômeno não é isolado. Levantamentos da Terra de Direitos e da Justiça Global apontam que, até o primeiro turno das eleições, ocorrido no último dia 4, foi registrado um caso de violência política a cada nove horas. Entre os episódios direcionados a candidatos, quase 60% tiveram mulheres como vítimas, mesmo elas representando apenas um terço do total de candidaturas no país.

Vulnerabilidade e o recorte racial

As estatísticas da Central de Atendimento à Mulher, o Disque 180, reforçam a dimensão do problema, com 1.564 denúncias registradas entre janeiro e agosto de 2026. O recorte racial revela uma disparidade ainda mais profunda: mulheres pretas e pardas são as principais vítimas, concentrando mais de 53% das notificações. Esse dado evidencia que o racismo e a misoginia atuam de forma combinada para afastar grupos historicamente sub-representados da política nacional.

Para Sandra Kennedy, secretária Nacional de Articulação Intersetorial do Ministério das Mulheres, a violência política é um reflexo de questões estruturais. “É assustador porque as violências políticas são, no fundo, questões estruturais, sejam elas no limite da ameaça à vida, sejam essas violências cotidianas e veladas que tentam desestimular a participação da mulher na política”, afirmou.

Histórico de violência e o desafio democrático

O Brasil acumula episódios emblemáticos que demonstram como a hostilidade pode evoluir para crimes graves. Desde o assassinato da vereadora Marielle Franco, em 2018, até casos de importunação sexual dentro de casas legislativas, como o sofrido pela ex-deputada Isa Penna, o histórico recente é um lembrete da urgência em garantir a segurança de quem ocupa cargos públicos. A retirada de escoltas de parlamentares sob ameaça e as interrupções sistemáticas de falas em plenários completam um mosaico de tentativas de exclusão.

Diante desse cenário, entidades da sociedade civil entregaram ao TSE um dossiê detalhado com denúncias de agressões físicas e verbais. O combate a essa cultura de ódio é visto como essencial para a manutenção da democracia. O ConexRS segue acompanhando os desdobramentos dessas investigações e o impacto das medidas de proteção às mulheres na política, reafirmando seu compromisso com a apuração rigorosa e a defesa dos direitos fundamentais. Continue acompanhando nosso portal para mais atualizações sobre este e outros temas de relevância nacional.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br