Bradseg mantém foco em rentabilidade e descarta guerra de preços no mercado de seguros

Bradseg mantém foco em rentabilidade e descarta guerra de preços no mercado de seguros

Economia

A Bradseg, holding do grupo Bradesco, traçou uma estratégia clara para o seu ciclo de expansão no mercado brasileiro: crescer sem ceder à pressão por redução de preços que, segundo a companhia, pode comprometer a saúde financeira do negócio a longo prazo. Em um setor marcado pela alta competitividade, a seguradora prefere manter a disciplina operacional a entrar em uma guerra tarifária.

O posicionamento foi reforçado pelo presidente da Bradseg, Ney Dias, em entrevista ao Broadcast, do Grupo Estado. Para o executivo, o cenário de taxas de juros elevadas costuma atrair seguradoras que priorizam o ganho financeiro sobre o float — as reservas mantidas aplicadas — em detrimento da eficiência operacional. A Bradseg, contudo, opta por uma postura mais cautelosa para garantir que a rentabilidade se sustente mesmo em ciclos econômicos de juros menores.

Desempenho operacional e reestruturação recente

Essa filosofia de gestão reflete diretamente nos números da divisão Auto/RE. No segundo trimestre, o faturamento do segmento alcançou R$ 2,6 bilhões, um crescimento de 1,8% na comparação anual. Embora o avanço pareça modesto, a empresa defende que o foco em margens mínimas é essencial para evitar a formação de uma carteira deficitária no futuro.

A gestão de Ney Dias, que assumiu o comando da holding em maio, ocorre em um momento de transição importante para o grupo. A estrutura foi reorganizada após a cisão dos negócios de saúde, que deram origem à Bradsaúde (SAUD3). Agora, a Bradseg concentra esforços em áreas como seguros de vida, previdência, capitalização e automóveis, enquanto avalia novas sinergias e ajustes de governança pós-reestruturação.

Estratégia para previdência e expansão no agro

No segmento de previdência complementar, a companhia observa uma mudança de comportamento dos investidores após a alteração na cobrança do IOF sobre aportes em planos VGBL que superam R$ 600 mil anuais. Segundo Dias, o mercado já antecipava esse movimento, o que tem impulsionado a busca por alternativas como os planos PGBL, mantendo a dinâmica de captação dentro das novas regras fiscais.

Outro pilar de crescimento é o seguro rural, que enfrenta desafios estruturais. Dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg) indicam que a área plantada segurada recuou de 14% em 2021 para cerca de 3% em 2025, impactada por cortes na subvenção governamental. A Bradseg, porém, enxerga otimismo com o novo Marco Legal, que torna obrigatórias as despesas públicas com subsídios ao setor.

Para o executivo, o potencial no campo vai além da proteção de lavouras. Existe uma demanda reprimida por seguros de vida e previdência entre produtores rurais, um público que ainda carece de maior educação financeira sobre esses produtos. A estratégia para acessar esse e outros mercados passa pelo modelo B2B2C, fortalecendo parcerias com cooperativas, bancos e varejistas para alcançar o consumidor final em seus pontos de contato habituais.

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Fonte: seudinheiro.com