A dura realidade das famílias que enfrentam as cheias do Rio Uruguai em Uruguaiana

A dura realidade das famílias que enfrentam as cheias do Rio Uruguai em Uruguaiana

Rio Grande do Sul

A rotina de centenas de famílias na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul foi bruscamente interrompida pela elevação do nível do Rio Uruguai. Em Uruguaiana, a paisagem urbana deu lugar a cenários de incerteza, onde moradores, diante da perda de seus lares, buscam alternativas improvisadas para permanecer próximos ao que restou de suas propriedades. A situação reflete o drama humano de quem, recorrentemente, precisa lidar com a força da natureza e as limitações de infraestrutura em áreas de risco.

A escolha pela permanência em barracas improvisadas

Para a aposentada Eva Maria Farias, o retorno à sua residência para verificar os danos foi um momento de profunda tristeza. Com a água atingindo quase um metro de profundidade dentro de casa, ela optou por montar uma barraca nas proximidades, onde vive atualmente com uma das filhas e cinco netos. A decisão de não buscar abrigo público é motivada pelo desejo de manter a privacidade e a vigilância sobre o imóvel, mesmo diante das condições precárias de habitação temporária.

O cenário se repete em outros pontos da cidade. Rosa Maria Minho Viana, moradora da região há décadas, também construiu sua própria estrutura de lona para abrigar a si e ao filho, que necessita de cuidados constantes. A estratégia de sobrevivência envolve a divisão da família em diferentes barracas, com a organização das refeições ocorrendo em um espaço compartilhado. Essa resiliência forçada evidencia o vínculo afetivo e a dependência que essas famílias possuem com o local onde construíram suas vidas.

O impacto da segunda cheia no ano para famílias com bebês

Enquanto alguns optam pela permanência nas ruas, outras famílias foram forçadas a buscar refúgio em abrigos municipais. Rosicler Soares da Silva vive o desafio de cuidar de três filhas, incluindo as gêmeas Julia e Maria Antônia, de apenas três meses. Nascidas prematuras, com 32 semanas, as crianças enfrentam a segunda situação de desalojamento por enchente apenas neste ano. A rotina no abrigo é marcada pela adaptação, mas a mãe relata que, apesar das dificuldades, as bebês conseguem manter o ciclo de sono e alimentação.

Monitoramento e alerta da Defesa Civil

Dados atualizados apontam que quase 500 pessoas estão fora de suas casas na Fronteira Oeste devido à cheia. Em Uruguaiana, o Rio Uruguai permanece 1,30 metro acima da cota de inundação, e a tendência é de agravamento. Segundo o Serviço Geológico do Brasil, o nível das águas deve continuar subindo nas próximas horas, afetando também municípios como São Borja e Itaqui. O alerta vermelho emitido pela Defesa Civil estadual permanece vigente, mantendo as equipes de prontidão para eventuais resgates e assistência humanitária até a próxima terça-feira (13).

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Fonte: g1.globo.com