Justiça condena 15 envolvidos em fraude com soda cáustica na Operação Leite Compensado no RS

Justiça condena 15 envolvidos em fraude com soda cáustica na Operação Leite Compensado no RS

Rio Grande do Sul

A Justiça do Rio Grande do Sul proferiu, nesta terça-feira (13), uma sentença que marca um desdobramento decisivo da Operação Leite Compensado. Ao todo, 15 pessoas foram condenadas por envolvimento em um esquema de adulteração de produtos lácteos fabricados pela empresa Dielat, sediada em Taquara. O processo, originado a partir de uma denúncia do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), expôs uma rede complexa de fraudes que colocou em risco a saúde pública e a integridade do setor leiteiro gaúcho.

A estrutura da fraude e o uso de substâncias químicas

A sentença, assinada pela 2ª Vara Estadual de Processo e Julgamento dos Crimes de Organização Criminosa e Lavagem de Dinheiro, detalha como a empresa operava. O grupo utilizava substâncias químicas para mascarar a má qualidade do leite, mantendo registros paralelos para ludibriar a fiscalização. Entre as práticas mais graves, destacava-se a adição de soda cáustica e peróxido de hidrogênio para neutralizar a acidez de lotes deteriorados.

Para manter o sigilo, os envolvidos utilizavam códigos internos. A soda cáustica era referida como “vitamina”, enquanto o peróxido de hidrogênio era chamado de “lactose”. De acordo com os autos, cadernos e agendas apreendidos continham fórmulas matemáticas precisas para calcular a dosagem exata desses produtos, que eram inseridos nos silos de armazenamento por métodos rudimentares, como baldes e funis.

Depósitos clandestinos e reaproveitamento de resíduos

Além da adulteração química, a investigação revelou a existência de depósitos clandestinos que funcionavam à margem das normas sanitárias. Mais de 800 toneladas de mercadorias impróprias — incluindo produtos vencidos, sem rotulagem e itens destinados à alimentação animal — foram localizadas em locais como um galpão na Rua Amazonas. Esses insumos eram sistematicamente reincorporados à linha de produção industrial.

O nível de negligência relatado na sentença incluía o uso de resíduos de varredura de chão e raspagens de câmaras de secagem na fabricação de compostos lácteos. Em um episódio emblemático de fraude, a Justiça descreveu uma simulação de descarte de produtos condenados pelo Ministério da Agricultura: apenas dois sacos eram queimados na caldeira para a gravação de um vídeo, enquanto o restante do material era mantido para ser processado e vendido ilegalmente.

Penas e repercussões para o setor

As condenações variam conforme o grau de participação de cada réu na organização criminosa. Os proprietários e diretores da empresa, como Antônio Ricardo Colombo Sader e Tales Bardo Laurindo, receberam as penas mais severas, fixadas em 13 anos e 4 meses de reclusão em regime inicial fechado. Técnicos de laboratório, supervisores e assistentes administrativos também foram sentenciados, refletindo a capilaridade do esquema dentro da estrutura da Dielat.

A decisão judicial determinou ainda a destruição definitiva de todos os produtos e insumos apreendidos. Além disso, órgãos públicos deverão ser notificados para revisar contratos e licitações vigentes com as empresas vinculadas aos condenados, especialmente em programas de alimentação escolar, visando garantir que nenhum produto adulterado chegue à mesa dos consumidores. Para acompanhar os desdobramentos deste e de outros casos que impactam a sociedade gaúcha, continue acompanhando o ConexRS, seu portal de referência em informação séria e apurada.

Fonte: g1.globo.com