A recente aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que estabelece o fim da escala 6×1 e reduz a jornada de trabalho semanal de 44 para 40 horas, mal esfriou no Senado e já se tornou o epicentro de uma nova disputa política. O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência e figura central no debate, tem sinalizado a lideranças do setor empresarial que pretende revisar a medida caso vença o pleito eleitoral.
A movimentação ocorre em um momento de alta sensibilidade política, a apenas 11 dias do segundo turno das eleições. Embora tenha votado favoravelmente à proposta no plenário, o parlamentar agora busca acalmar o setor produtivo, que teme os impactos econômicos da mudança na jornada laboral. Fontes ligadas ao setor empresarial confirmaram que interlocutores da campanha garantiram que a pauta será reavaliada em um eventual futuro governo.
Revisão da escala 6×1 e o diálogo com o setor produtivo
O aceno de Flávio Bolsonaro aos empresários reflete uma tentativa de equilibrar a pressão popular com as demandas dos setores que sustentam sua base de apoio. Segundo informações apuradas, o recado sobre a possível revisão da PEC foi enviado a pedido do próprio senador. O objetivo seria mitigar os efeitos da nova legislação, que altera profundamente a dinâmica de contratação no país.
A postura, contudo, gerou ruídos. Algumas lideranças empresariais expressaram descontentamento em grupos privados, questionando a consistência do posicionamento do candidato. A crítica central gira em torno da percepção de que o presidenciável estaria adotando estratégias de curto prazo para evitar desgastes imediatos nas urnas, sem apresentar um plano detalhado sobre como seria essa reformulação da jornada de trabalho.
Estratégia eleitoral e o impacto no Senado
A votação da PEC 221/2019 no Senado, ocorrida na noite de quarta-feira (14), foi marcada por uma mudança súbita de rumo. Na véspera, Flávio Bolsonaro havia classificado a iniciativa como oportunismo político por parte do presidente Lula. No entanto, ao anunciar que votaria a favor da proposta para atender à “maioria da população”, o senador forçou uma reconfiguração no tabuleiro legislativo.
A decisão de Flávio Bolsonaro deixou a oposição sem margem de manobra, levando parlamentares a também votarem favoravelmente para evitar que o tema fosse explorado exclusivamente pelo adversário na campanha. O movimento foi visto por aliados como uma forma de “tirar a pauta da frente” e impedir que o governo atual capitalizasse politicamente sobre o fim da escala 6×1. Até o momento, o texto segue para promulgação no Congresso Nacional, embora a data ainda não tenha sido definida.
O futuro da jornada de trabalho
Enquanto o cenário político se desenha para o segundo turno, o debate sobre a flexibilização do trabalho ganha novos contornos. Aliados do senador discutem a viabilidade de um regime de trabalho baseado em remuneração por horas efetivamente trabalhadas, proposta defendida pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha. A ideia de revisar a PEC a partir de 2027, caso o projeto de poder seja vitorioso, permanece como um dos pontos de atenção para analistas e para o mercado.
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Fonte: seudinheiro.com

