Dinâmica de preços e o impacto no mercado de Mato Grosso
O mercado de derivados da soja em Mato Grosso apresentou um movimento de valorização expressivo durante o mês de setembro de 2026. Segundo dados do Agro Mensal, relatório divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, o farelo de soja atingiu um preço médio de R$ 1.929 por tonelada na região de Rondonópolis, representando uma alta de 13,3% em comparação aos valores registrados em agosto. Paralelamente, o óleo de soja também seguiu trajetória de crescimento, com uma valorização de 4%, alcançando R$ 6.271 por tonelada.
Esse cenário de alta foi impulsionado por uma combinação de fatores, incluindo o comportamento do câmbio, a recuperação nos preços da soja em grão e uma demanda aquecida. No caso específico do farelo, a pressão foi acentuada pela entressafra, que reduziu a disponibilidade regional e forçou as indústrias a adotarem uma postura mais firme na reposição de estoques. Consumidores domésticos, diante da volatilidade, optaram por concentrar suas compras em necessidades imediatas de curto prazo.
Biodiesel e o suporte ao óleo de soja
Enquanto o farelo liderou o desempenho mensal, o óleo de soja encontrou sustentação em pilares distintos. O consumo interno, fortemente impulsionado pela indústria de biodiesel, foi o principal motor para a valorização do produto. A demanda por biocombustíveis, aliada à valorização do petróleo no mercado internacional, criou um ambiente favorável para o óleo, mesmo com um crescimento mais moderado em comparação ao farelo.
Apesar da alta, o ganho do óleo de soja foi limitado pelo aumento do esmagamento e pela maior disponibilidade de outros óleos vegetais no mercado global. Em Chicago, a valorização do primeiro vencimento do óleo foi de apenas 0,6% em setembro, refletindo um mercado que, embora sustentado, mantém cautela quanto ao excesso de oferta.
Concorrência internacional e o fator Indonésia
As perspectivas para os próximos meses apontam para desafios distintos para cada derivado. No mercado de farelo, o Brasil deve enfrentar uma concorrência mais acirrada. A expectativa de crescimento no esmagamento na Argentina — o maior exportador mundial do produto — e na Tailândia tende a elevar a oferta global. Contudo, analistas ponderam que a expansão da produção de proteína animal e a consequente necessidade de ração podem absorver essa oferta extra, mitigando quedas bruscas nos preços.
No setor de óleos, o grande ponto de atenção é a Indonésia. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) revisou para baixo a estimativa de produção de óleo de palma no país em 2,2 milhões de toneladas, citando secas prolongadas em regiões como Sumatra e Kalimantan. Com a oferta de palma em níveis críticos, o mercado global tende a buscar alternativas, favorecendo a demanda por óleos de soja, canola e girassol, o que deve oferecer um suporte contínuo às cotações do óleo produzido no Brasil.
Perspectivas para o agronegócio brasileiro
O cenário para o restante do ano e o início da próxima safra permanece atrelado à capacidade de esmagamento das indústrias e à dinâmica das exportações. Com o Brasil mantendo um ritmo forte de embarques — somando 20,2 milhões de toneladas de farelo entre janeiro e setembro de 2026, uma alta de 11,7% sobre o ano anterior —, a cadeia produtiva segue em alerta para os ajustes de oferta e demanda global.
O ConexRS acompanha de perto as movimentações do agronegócio, trazendo análises fundamentadas sobre os mercados que movem a economia brasileira. Nosso compromisso é fornecer informação relevante e contextualizada para que você compreenda os impactos das oscilações de preços no campo e na indústria. Continue acompanhando nosso portal para se manter atualizado sobre o setor e outros temas de relevância nacional.
Fonte: portaldoagronegocio.com.br

