Dólar em alta sustenta preços da soja no mercado brasileiro

Dólar em alta sustenta preços da soja no mercado brasileiro

Geral

O mercado brasileiro de soja manteve um ritmo de baixa movimentação nesta quinta-feira (15), refletindo a cautela de produtores e compradores diante de um cenário global de incertezas. Enquanto os preços no mercado físico apresentaram poucas variações, a valorização do dólar frente ao real atuou como um fator de equilíbrio, compensando a pressão negativa exercida pela Bolsa de Chicago.

Segundo Rafael Silveira, analista da Safras & Mercado, a disparada da moeda norte-americana foi o principal pilar de sustentação para as cotações internas. Sem esse suporte cambial, o mercado doméstico poderia ter sofrido um impacto mais severo devido às quedas constantes observadas no exterior. O ambiente de negócios, contudo, permanece travado, com produtores focados quase exclusivamente nas atividades de plantio da nova safra.

Divergência entre compradores e vendedores

A dinâmica nos portos e entre os esmagadores revela um impasse comercial claro. As indicações de preços permanecem nominais, carecendo de ofertas efetivas que consolidem grandes volumes de negociação. Os esmagadores, embora demonstrem interesse em adquirir o grão, encontram dificuldade em alinhar suas propostas aos valores pretendidos pelos produtores.

Essa disparidade entre o que o mercado oferece e o que o vendedor espera mantém a liquidez reduzida. Com o campo exigindo atenção total para o ciclo de plantio, a tendência é de que o ritmo de comercialização siga lento nas próximas semanas, aguardando sinais mais claros de estabilização tanto no câmbio quanto na demanda internacional.

Pressão externa e o cenário em Chicago

Na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), os contratos futuros da soja acumularam a quarta sessão consecutiva de perdas, atingindo os menores patamares em sete semanas. O avanço da colheita nos Estados Unidos, que aponta para uma safra recorde, pressiona as cotações, somado a um desempenho abaixo do esperado no esmagamento americano durante o mês de setembro.

Dados da Associação Norte-Americana dos Processadores de Óleos Vegetais (Nopa) indicaram um esmagamento de 196,3 milhões de bushels, número que frustrou as expectativas do mercado e marcou o menor volume dos últimos 13 meses. Paralelamente, o Brasil projeta uma produção robusta para a temporada 2026/27, com estimativa de 181,616 milhões de toneladas, conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Demanda chinesa e o impacto cambial

Apesar do cenário de oferta abundante, a demanda chinesa continua sendo um ponto de atenção. Compradores estatais da China adquiriram entre 10 e 13 cargas de soja dos Estados Unidos recentemente, reforçando o compromisso de atingir a meta de 25 milhões de toneladas anunciada pela Casa Branca. Até o momento, cerca de 15 milhões de toneladas já foram negociadas.

No Brasil, o dólar comercial encerrou o dia com alta de 1,15%, cotado a R$ 5,0884. Essa variação cambial é o que mantém a competitividade do produto brasileiro e evita quedas mais acentuadas nas praças nacionais, como em Passo Fundo (RS), onde a saca se manteve em R$ 147,50, ou em Paranaguá (PR), que registrou leve alta para R$ 156,00.

O ConexRS segue acompanhando de perto as oscilações do agronegócio e os desdobramentos econômicos que impactam diretamente o produtor brasileiro. Continue conosco para se manter informado com análises precisas, dados atualizados e o contexto necessário para entender os rumos do mercado nacional e internacional.

Fonte: canalrural.com.br