A forma como a geração Z interage com o mundo digital deixou de ser apenas uma questão de entretenimento para se tornar um pilar fundamental na construção de suas identidades. No Brasil, essa tendência é ainda mais acentuada, conforme aponta a sétima edição do estudo Culture Next, realizado pelo Spotify. O levantamento mergulha nos hábitos de consumo de milhões de usuários, revelando que interesses como música, podcasts e games substituíram marcos tradicionais da transição para a vida adulta.
A convergência entre áudio, vídeo e comportamento
O estudo, que analisou dados de 4,2 milhões de músicas e quase 700 mil episódios de podcasts, destaca que a geração Z — que compõe 44% dos 777 milhões de usuários globais da plataforma — não enxerga mais os formatos de mídia de maneira isolada. Entre janeiro de 2025 e junho de 2026, houve um salto de 75% na participação do vídeo em streams de podcasts entre o público mais jovem. Essa mudança reflete uma busca por conteúdos que ofereçam profundidade e conexão direta com os criadores.
Para Priscilla Barsotti, diretora de vendas do Spotify, essa hibridização abre um novo campo de possibilidades para o mercado. “Para essa geração, um podcast pode ser ouvido ou assistido dependendo do contexto; o que importa é a conexão com o tema”, explica. A diretora reforça que o desafio para as marcas não é mais interromper a experiência do usuário, mas sim integrar-se a ela de forma autêntica, respeitando as comunidades e os interesses que já fazem parte do cotidiano desses jovens.
A cultura da aura e o autoaperfeiçoamento
Um dos fenômenos mais curiosos mapeados pelo Spotify é a ascensão da cultura de “farmar aura”. O termo, derivado da linguagem gamer, descreve o ato de cultivar estilo, carisma e presença. Essa busca por uma identidade própria extrapola o ambiente digital e se manifesta em atividades físicas e no engajamento com videogames, que se consolidaram como a principal forma de lazer para jovens de 14 a 18 anos, superando o consumo de televisão e cinema.
O fitness, por exemplo, deixou de ser apenas uma prática voltada ao condicionamento físico. Para 76% dos brasileiros entre 24 e 29 anos, a academia está intrinsecamente ligada ao autoaperfeiçoamento e à construção da própria imagem. Essa lógica de expressão pessoal une universos que antes pareciam desconectados, como o treino pesado acompanhado por playlists de trap, funk ou anime, criando uma rotina que reforça o sentimento de pertencimento.
O papel dos fandoms e a busca por sentido
A necessidade de compreender o mundo ao redor também guia o consumo de conteúdo informativo e de entretenimento. Enquanto a comédia lidera as preferências no Brasil, temas como true crime e conteúdos paranormais ganham força globalmente como ferramentas para processar emoções e curiosidades. Essa busca por significado é o que mantém os fandoms no centro da vida social desta geração.
Três em cada cinco jovens da geração Z consideram que as comunidades de fãs são partes essenciais de quem são. Projetos como o Spotify Superfans Experience (SFX), com chegada prevista ao Brasil em janeiro de 2027, e campanhas que valorizam rituais de fãs de artistas como Matuê e Calcinha Preta, demonstram que as plataformas estão atentas a essa necessidade de conexão real. O consumo, portanto, é apenas a ponta de um iceberg que envolve lealdade, troca cultural e a constante busca por espaços de identificação.
No ConexRS, nosso compromisso é manter você informado sobre as transformações que moldam a sociedade contemporânea. Acompanhe nossas próximas reportagens para entender como a tecnologia e a cultura continuam a redesenhar o comportamento humano em um mundo cada vez mais conectado e diverso.
Fonte: meioemensagem.com.br

