Pressão de Nova York trava mercado de algodão após queda de 3,58% em São Paulo

Pressão de Nova York trava mercado de algodão após queda de 3,58% em São Paulo

Agro

Os preços do algodão recuaram com força no mercado brasileiro ao longo da semana, acompanhando diretamente o desempenho negativo dos contratos futuros na bolsa de Nova York. De acordo com informações divulgadas pela Safras Consultoria, essa desvalorização expressiva veio acompanhada por uma freada brusca no ritmo das negociações, deixando o setor com negócios travados nos últimos dias.

Essa forte volatilidade externa demonstra como o mercado doméstico de commodities continua altamente conectado às variações internacionais. Produtores, indústrias e comercializadores mantêm cautela enquanto avaliam o impacto dessa oscilação nos preços futuros e na rentabilidade das lavouras em plena temporada de planejamento e colheita.

Impacto nos preços e paralisação do mercado

A referência para o algodão entregue diretamente à indústria de São Paulo passou de R$ 4,19 para R$ 4,04 por libra-peso, configurando uma queda de 3,58% no período. Enquanto isso, em Rondonópolis, polo estratégico em Mato Grosso, a cotação registrou recuo de R$ 133,00 para R$ 129,17 por arroba, representando uma perda financeira relevante para os produtores locais.

Esse movimento de retração atingiu tanto a praça paulista quanto o principal estado produtor da pluma no país. O ambiente atual é marcado por extrema dificuldade para a concretização de novos contratos, já que os vendedores resistem aos patamares mais baixos e os compradores aguardam uma definição mais clara da tendência externa.

Projeções da Conab para a safra 2026/27

Apesar da pressão momentânea sobre as cotações físicas, o primeiro levantamento oficial divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento aponta que a produção brasileira de algodão se manterá praticamente estável na temporada 2026/27. A estimativa oficial indica uma colheita nacional de 4,157 milhões de toneladas de algodão em pluma, avançando ligeiramente frente às 4,145 milhões de toneladas registradas na temporada anterior.

O leve crescimento de aproximadamente 0,3% na produção total é sustentado principalmente pela expansão da área plantada no país. Contudo, a expectativa de um rendimento médio inferior nas lavouras acaba limitando um salto maior na oferta nacional, equilibrando o balanço entre oferta e demanda interna.

Diferenciação regional na produtividade

A área destinada ao cultivo da fibra no Brasil deverá alcançar 2,093 milhões de hectares, o que representa um acréscimo de 3,7% em relação aos 2,018 milhões de hectares observados no ciclo 2025/26. Em contrapartida, a produtividade média foi estimada em 1.986 quilos de pluma por hectare, recuando frente aos 2.054 quilos por hectare da safra passada.

Mato Grosso seguirá isolado na liderança nacional da produção, com expectativa de colher 2,8317 milhões de toneladas, alta de 1% e equivalente a cerca de 68% de todo o volume brasileiro. Na Bahia, segundo maior produtor, a projeção aponta 904,2 mil toneladas, enquanto Goiás deverá colher 54,6 mil toneladas, refletindo ajustes regionais na produtividade agrícola.

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Fonte: portaldoagronegocio.com.br