As movimentações eleitorais recentes no estado do Rio de Janeiro trazem à tona memórias de embates históricos entre famílias tradicionais da política fluminense. Embora hoje mantenha laços de articulação com integrantes do clã do norte do estado, o senador Flávio Bolsonaro registrou, no início de sua trajetória parlamentar, severas críticas à gestão de Anthony Garotinho à frente da área de segurança.
Em 2004, quando exercia mandato de deputado estadual na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Flávio subiu à tribuna para comemorar abertamente a exoneração de Garotinho, que na ocasião comandava a Secretaria de Estado de Segurança Pública. O episódio ocorreu em meio a uma forte crise na pasta e repercussões sobre a violência urbana no território fluminense.
Discurso na Alerj e responsabilização por mortes de policiais
Naquela ocasião, a notícia da demissão de Anthony Garotinho foi compartilhada no plenário pela então deputada Cidinha Campos. Em sua fala, o jovem parlamentar não poupou críticas contundentes à conduta do secretário e expressou alívio em nome das forças policiais do estado.
O pronunciamento foi motivado de forma imediata pelo assassinato de dois policiais militares no bairro de Inhaúma, na Zona Norte da capital fluminense. Flávio apontou negligência administrativa e atribuiu a Garotinho a responsabilidade política pelo ambiente de insegurança que vitimava os integrantes da corporação militar.
Ao discursar, o deputado declarou que a saída do secretário era um motivo de celebração para a tropa e destacou o longo período em que o político exercia influência direta na área, somando quase dois anos no comando da pasta ao período em que governou o estado do Rio de Janeiro.
Alianças e divisões familiares no tabuleiro político atual
O resgate do episódio contrasta com o arranjo partidário contemporâneo. Atualmente, o senador e pré-candidato à Presidência pelo PL construiu pontes com a família Garotinho, embora o próprio clã enfrente divisões internas expressivas.
O filho do ex-governador, Wladimir Garotinho, eleito deputado federal e ex-prefeito do município de Campos dos Goytacazes, assumiu a coordenação da campanha de Flávio na região norte-fluminense. O movimento ocorre em meio ao rompimento político entre Wladimir e o pai.
Nas disputas estaduais, Anthony Garotinho concorreu ao governo fluminense pelo Republicanos e posicionou-se como adversário de Douglas Ruas, nome apoiado pelo grupo bolsonarista, terminando a corrida eleitoral na terceira colocação. Apesar das rusgas e de ter tecido críticas públicas ao senador, o ex-governador admitiu que daria apoio a Flávio em uma eventual disputa direta de segundo turno contra o presidente Lula.
A dinâmica expõe as constantes metamorfoses das alianças regionais, onde desavenças duras do passado dão lugar a acomodações pragmáticas conforme o calendário eleitoral avança no país, tema amplamente analisado em coberturas da Folha de S.Paulo.
O acompanhamento dos bastidores políticos e das transformações nas coalizões eleitorais segue no radar da cobertura contínua do ConexRS, com apuração precisa e foco no impacto das decisões partidárias sobre a sociedade.
Fonte: redir.folha.com.br

