A Justiça Eleitoral precisou remanejar a estrutura de votação em diversas cidades brasileiras antes da nova ida às urnas. Dados consolidados pelo Tribunal Superior Eleitoral apontam a alteração de endereço de 2.033 seções eleitorais em todo o território nacional para o segundo turno da disputa presidencial, impactando diretamente cerca de 592 mil eleitores. O contingente transferido equivale a 0,39% do universo geral de votantes do país.
As modificações emergenciais decorrem de danos estruturais provocados por intempéries climáticas recentes e da necessidade pontual de reformas prediais em escolas e instituições públicas. Em paralelo, a coligação encabeçada pelo presidente Lula (PT) acionou formalmente a corte solicitando um plano intensivo de comunicação e suporte logístico de transporte, temendo que os remanejamentos ampliem o índice de não comparecimento verificado na etapa anterior da eleição.
Estrutura logística mantida e o papel das zonas eleitorais
Segundo o tribunal, a reorganização física dos pontos de votação não implica diminuição de urnas nem descarte de infraestrutura. No primeiro turno, o eleitorado votou em 499.248 seções eleitorais, quantitativo que permanece rigorosamente o mesmo para a rodada decisiva, marcada para o dia 25 de outubro.
Em esclarecimento institucional, a Justiça Eleitoral ressaltou que as decisões de transferência não partem de uma determinação de gabinete centralizada na capital federal. Cada remanejamento é conduzido de forma autônoma pela respectiva zona eleitoral, órgão responsável por avaliar a segurança física, a estabilidade de tetos, pisos e o acesso do cidadão às instalações disponíveis.
Impactos climáticos forçaram interdições preventivas em municípios
Eventos meteorológicos severos exerceram pressão direta sobre o calendário de infraestrutura eleitoral. Um exemplo detalhado pelo tribunal ocorreu no município de Confresa, em Mato Grosso, onde fortes temporais acompanhados de ventanias nos dias 9 e 10 de outubro danificaram a cobertura de uma escola municipal cadastrada como ponto de recepção de votos.
Com infiltrações graves e comprometimento do forro, um laudo técnico de engenharia assinado no dia 11 de outubro determinou a interdição preventiva imediata do prédio público. O diagnóstico técnico forçou a transferência urgente de todas as seções para um imóvel situado nas proximidades, permitindo a continuidade do cronograma eleitoral sem riscos aos cidadãos e mesários.
Questionamentos sobre abstenção e pedidos de divulgação ampla
A petição protocolada pela equipe jurídica do PT trouxe à tona o índice de abstenção registrado no primeiro turno, que atingiu 21,08% dos habilitados a votar. A representação partidária argumenta que, embora existam múltiplos fatores para a ausência nas urnas, a desinformação referente à troca repentina de locais contribuiu para que muitos brasileiros deixassem de exercer o direito de sufrágio.
O documento encaminhado à corte eleitoral pede reforço substancial nas campanhas informativas e a garantia de facilidades de deslocamento para as comunidades afetadas. As informações sobre as novas seções podem ser consultadas diretamente no portal do TSE, por meio do sistema de autoatendimento eleitoral, ou pelo aplicativo móvel e-Título, disponível gratuitamente para celulares.
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Fonte: redir.folha.com.br

