O Ibovespa (IBOV) acumula uma valorização de 9,74% em outubro, mas, para o Inter, a bolsa brasileira ainda tem fôlego para subir mais. Atualmente na casa dos 205,4 mil pontos, o principal índice da B3 segue considerado barato pelo banco, que elevou sua projeção de 204 mil para 240 mil pontos — o equivalente a um potencial de valorização de aproximadamente 17% em relação ao patamar atual.
A recuperação recente da renda variável ganhou força após o primeiro turno das eleições presidenciais, quando Flávio Bolsonaro (PL) terminou a votação à frente do presidente Lula (PT). Na semana seguinte ao pleito, o índice saltou 8,8%, registrando sua maior alta semanal pós-eleitoral desde 1994, com avanço de aproximadamente 12% em dólar.
Indicadores de preço sobre lucro mostram desconto
Para sustentar a projeção otimista, o Inter utiliza o indicador de preço sobre lucro (P/L), que mede a relação entre o valor das ações e a geração de resultados das companhias. Quanto menor o múltiplo, menor o preço pago por cada unidade de lucro, embora isso não represente necessariamente uma garantia de rentabilidade futura.
Segundo o analista Rafael Winalda, do Inter, a média histórica do Ibovespa opera perto de 11 vezes o lucro projetado. Mesmo após a recente escalada, o índice negocia pouco acima de 10 vezes, indicando que a valorização recente representou mais uma correção de preços deprimidos do que um exagero especulativo.
Comparação internacional revela oportunidades no Brasil
No cenário global, o desconto da bolsa brasileira se destaca frente a outras praças financeiras emergentes e desenvolvidas. Enquanto o Ibovespa transaciona próximo de 10 vezes o lucro projetado, mercados como a Índia operam na faixa de 21 vezes.
Outros países como Taiwan, México e Indonésia registram múltiplos entre 15 e 16 vezes, patamar semelhante ao da Austrália, economia desenvolvida com forte presença de commodities. Para o banco, a convergência parcial desse spread pode impulsionar as cotações locais sem exigir cenários macroeconômicos excepcionais.
Riscos fiscais e cenário eleitoral constituem desafios
Apesar do horizonte positivo, a trajetória rumo aos 240 mil pontos enfrenta condicionantes externos e internos relevantes. O desenrolar do cenário eleitoral permanece no radar como principal fonte de volatilidade para as expectativas corporativas e o fluxo de capital estrangeiro.
Além disso, o desconto estrutural do mercado brasileiro reflete desafios históricos como juros elevados, instabilidade fiscal e inflação persistente. Conforme aponta a cobertura do Seu Dinheiro, esses fatores comprimem permanentemente o apetite ao risco dos investidores globais.
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Fonte: seudinheiro.com

