A integração da pecuária com a arborização tem ganhado destaque no cenário agrícola brasileiro graças a pesquisas científicas recentes. Um estudo conduzido em parceria entre a Embrapa e o Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo apontou que a árvore bordão-de-velho traz benefícios expressivos quando utilizada em sistemas silvipastoris, modalidade que combina a produção animal com o cultivo florestal na mesma área.
Os dados levantados mostram que a espécie nativa contribui de maneira direta para o aumento da qualidade biológica do solo. Com isso, as terras de pastagem passam a estocar volumes maiores de carbono e mantêm comunidades de microrganismos mais estáveis, diversificadas e ativas na decomposição de matéria orgânica.
Metodologia e o estudo na Amazônia
A investigação científica teve início em 2018 no campo experimental da Embrapa Rondônia. Na ocasião, uma área de 14 hectares previamente ocupada por capim-marandu foi dividida em parcelas para receber o plantio de mudas de bordão-de-velho e também de eucalipto, permitindo o monitoramento contínuo do desenvolvimento subterrâneo e da microbiota local.
Ao longo das avaliações realizadas em 2022 e 2024, os pesquisadores constataram que a parcela cultivada com o bordão-de-velho apresentava uma fertilidade superior. O solo dessa região demonstrou menor acidez e uma concentração mais expressiva de matéria orgânica, além de uma influência direta da árvore sobre os microrganismos que se estendeu por até cinco metros de distância do tronco.
Impacto na microbiota e ciclagem de nutrientes
A capacidade de modular a comunidade de bactérias e arqueias é um dos diferenciais biológicos observados na leguminosa. Como a planta possui a habilidade natural de fixar nitrogênio atmosférico no solo, ela acaba recrutando microrganismos específicos que auxiliam diretamente nesse processo de enriquecimento nutricional.
Essa dinâmica microbiológica favorece a ciclagem de elementos químicos fundamentais para o desenvolvimento vegetal e animal. A presença de bactérias ligadas à decomposição de compostos complexos também indica que a espécie pode atuar positivamente na regeneração e na saúde geral de áreas degradadas pela ação humana ao longo das décadas.
Índices elevados de carbono no solo
Outro ponto de destaque na pesquisa foi a avaliação do Índice de Manejo de Carbono, métrica que compara a preservação da matéria orgânica em relação a um ecossistema de referência nativo. O arranjo produtivo com o bordão-de-velho alcançou um índice de 91,13, demonstrando alta capacidade de retenção de nutrientes essenciais.
Além disso, os estoques absolutos de carbono medidos nas áreas manejadas revelaram números competitivos frente à floresta original, evidenciando que os sistemas silvipastoris funcionam como mecanismos eficientes de mitigação ambiental. O trabalho da Embrapa reforça o potencial de tecnologias sustentáveis para o campo.
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Fonte: canalrural.com.br

