A forma escolhida para a secagem do café conilon pode alterar profundamente a composição dos grãos e o resultado final da bebida na xícara. É o que aponta uma pesquisa recente que comparou diferentes métodos de processamento e identificou perdas expressivas de qualidade em amostras submetidas a secadores a lenha com fogo direto.
O trabalho acadêmico avaliou os impactos do pós-colheita na variedade Vitória, cultivada no interior do estado. Os dados revelaram que o método adotado após a colheita influencia diretamente o aroma, o sabor e a pontuação sensorial obtida pelos grãos.
Metodologia e os resultados na xícara
No experimento conduzido pelos pesquisadores, as amostras de café foram divididas em três grupos distintos para testar a influência térmica e ambiental no produto final. O método tradicional de secagem ao sol em terreiro suspenso alcançou o melhor desempenho, atingindo 81,1 pontos na avaliação sensorial.
Logo atrás, a amostra processada com ar quente a 35 °C somou 79,96 pontos, recebendo classificação considerada premium. Em contrapartida, o lote submetido ao sistema com fogo direto sob temperaturas entre 50 °C e 60 °C registrou apenas 38 pontos, apresentando características sensoriais bastante negativas durante a degustação.
Compostos voláteis e impacto da combustão
A investigação científica identificou dezenas de compostos voláteis, substâncias fundamentais para a formação dos aromas e das principais propriedades organolépticas da bebida. A análise laboratorial permitiu conectar diretamente as alterações químicas aos métodos de processamento utilizados.
Segundo os responsáveis pelo estudo, a exposição contínua à fumaça, à fuligem e aos subprodutos gerados pela queima direta da lenha esteve fortemente associada à queda drástica na pontuação. O controle da secagem, portanto, exige atenção que vai muito além da simples checagem dos termômetros nos equipamentos.
Reconhecimento e valorização da produção
Desenvolvida no âmbito acadêmico e premiada com menção honrosa em fórum internacional de inovação, a pesquisa busca aproximar a ciência das demandas diárias dos produtores rurais. O objetivo central é fornecer embasamento técnico para que o setor cafeeiro aprimore suas rotinas e agregue mais valor ao produto nacional.
Compreender a dinâmica pós-colheita ajuda a blindar o café contra perdas indesejadas de qualidade, garantindo que o esforço lavrado no campo chegue à xícara do consumidor com o máximo de excelência preservada.
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Fonte: portaldoagronegocio.com.br

