Regras da Anbima fazem recursos do agronegócio migrar dos cras para fiagros e cprs

Regras da Anbima fazem recursos do agronegócio migrar dos cras para fiagros e cprs

Economia

Durante anos, o Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) funcionou como o principal destino dos investidores interessados em aplicar no setor produtivo usufruindo de isenção de imposto de renda. No entanto, dados recentes divulgados pela Anbima mostram que esse reinado tradicional enfrenta sinais evidentes de desgaste no mercado de capitais brasileiro.

As estatísticas apresentadas apontam para uma transformação profunda na engenharia financeira utilizada para captar recursos voltados ao campo. Enquanto alguns instrumentos tradicionais registram quedas acentuadas, alternativas regulatórias ganham tração de maneira acelerada, reconfigurando o portfólio de investidores e empresas.

Mudanças regulatórias redefinem o mercado de capitais

De acordo com o levantamento da Anbima, as emissões de CRAs somaram R$ 11,1 bilhões entre janeiro e setembro, o que representa uma queda de 62,3% na comparação com o mesmo período anterior. Especialistas apontam que boa parte dessa retração decorre de ajustes normativos implementados pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Pelas regras atuais, as companhias emissoras precisam comprovar que mais de dois terços da receita consolidada derivam estritamente de atividades agropecuárias. Essa exigência deixou várias empresas de fora do enquadramento legal necessário, forçando o mercado a buscar caminhos alternativos para manter o fluxo de financiamento ao setor.

A ascensão rápida da câmara de produto rural

Diante das restrições impostas aos certificados tradicionais, a Cédula de Produto Rural Financeira (CPR-F) emergiu como uma das principais válvulas de escape para o financiamento corporativo rural. Os volumes saltaram de R$ 3,9 bilhões para R$ 11,8 bilhões, registrando um impressionante avanço de 202,7% no intervalo avaliado.

O instrumento passou a ser adotado de forma intensiva por empresas que perderam o direito de emitir CRAs. Para os investidores pessoas físicas, as CPR-F emitidas por companhias do setor mantêm a atratividade da isenção fiscal, ajudando a preencher o espaço deixado pelos títulos tradicionais no mercado de renda fixa.

Fiagros ganham musculatura e diversificação

Paralelamente às cédulas rurais, os Fiagros consolidaram um papel muito mais abrangente do que a simples distribuição de crédito imobiliário ou títulos corporativos. Originalmente conhecidos como os fundos imobiliários do campo, essas estruturas passaram a abranger aquisições de terras, consolidação de ativos e outras modalidades de investimentos.

O volume captado por esses veículos registrou alta expressiva, saltando para R$ 10,2 bilhões e acumulando um crescimento expressivo na quantidade de operações estruturadas. A flexibilidade regulatória permitiu que os fundos atraíssem novos perfis de investidores interessados na diversificação agrícola.

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Fonte: seudinheiro.com