Pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) instalaram 18 armadilhas fotográficas no Parque Estadual do Espinilho, localizado em Barra do Quaraí. A iniciativa tem como principal objetivo monitorar a fauna silvestre e identificar espécies de felinos características do Pampa gaúcho que atualmente enfrentam risco de extinção.
Tecnologia de ponta para o monitoramento ambiental
Os equipamentos foram distribuídos estrategicamente com uma distância aproximada de um quilômetro entre si. As câmeras funcionam por meio de sensores de movimento e contam com tecnologia infravermelha avançada, permitindo o registro de imagens nítidas também durante o período noturno sem a necessidade de flash.
O monitoramento integra o Projeto Felinos do Pampa. Para realizar a manutenção dos aparelhos, as equipes acadêmicas precisam percorrer extensas áreas de campo aberto e trechos de vegetação fechada na unidade de conservação.
Diversidade biológica capturada pelas lentes
As lentes dos equipamentos já registraram diversas espécies típicas que habitam a região. Entre os animais identificados estão o tatu-pelado, o zorrilho, o graxaim-do-campo, o graxaim-do-mato, a ema, a lontra e uma família de capivaras.
Um dos registros que mais chamou a atenção da equipe foi a aparição de um gato-do-mato-grande com coloração preta. Além de revelar hábitos comportamentais, as imagens fornecem dados cruciais sobre a distribuição geográfica e a dinâmica reprodutiva dos animais no bioma.
O desafio da conservação do gato-palheiro-pampeano
Apesar do sucesso na captura de várias espécies, o gato-palheiro-pampeano ainda não foi fotografado pelas câmeras instaladas no parque. A espécie é considerada uma das mais raras do mundo e depende diretamente da preservação dos campos nativos para garantir a sua sobrevivência.
Segundo os pesquisadores, a expansão de lavouras de soja, arroz e outras monoculturas na região representa uma grave ameaça ao habitat natural desses animais. O Parque Estadual do Espinilho funciona como um refúgio ecológico fundamental, influenciado diretamente pelo espinal argentino.
Parceria estratégica para a proteção da biodiversidade
Todo o banco de dados gerado pelas armadilhas fotográficas é compartilhado diretamente com a administração estadual da unidade. O objetivo é orientar estratégias eficientes de conservação local e auxiliar gestores públicos na proteção de áreas críticas.
Com essas informações detalhadas, os órgãos ambientais conseguem mapear com precisão onde vivem as espécies mais vulneráveis e planejar ações direcionadas para assegurar a sobrevivência da fauna silvestre no extremo sul do país.

