A disputa pelo governo do Espírito Santo ganhou novos contornos de tensão na reta final do pleito, com acusações de desinformação por meio de disparos automatizados. A equipe jurídica da campanha do candidato Lorenzo Pazolini (Republicanos) acionou a Justiça Eleitoral para investigar a propagação de chamadas telefônicas que se passam por institutos de pesquisa, mas que, na verdade, transmitem conteúdos críticos ao postulante e a aliados políticos.
De acordo com os registros reunidos pela equipe de Pazolini, as mensagens automatizadas direcionadas aos eleitores capixabas associam a imagem do candidato e do senador Flávio Bolsonaro (PL) a propostas polêmicas sobre o mercado de trabalho. O material aponta que ambos defenderiam o modelo de pagamento por hora trabalhada e a retirada de direitos históricos da classe trabalhadora, a exemplo do 13º salário e do FGTS.
questionamentos sobre direitos trabalhistas e alianças políticas
Pazolini é o candidato apoiado por Flávio Bolsonaro no estado. Embora a proposta de remuneração por hora seja um tema debatido no cenário nacional por figuras ligadas ao grupo político, a defesa do candidato estadual nega veementemente qualquer intenção de suprimir benefícios garantidos por lei aos trabalhadores brasileiros.
"Nunca defendi tirar um direito sequer de quem trabalha. Vamos até o fim para descobrir quem está por trás dessas ligações e quem está pagando por elas, porque o eleitor tem o direito de decidir o voto com informação verdadeira", declarou o candidato do Republicanos ao rebater as acusações disseminadas pelas chamadas.
Além das menções trabalhistas, as ligações automatizadas também abordam a composição de futuros governos. As mensagens questionam os eleitores sobre a eventual participação do senador Magno Malta (PL-ES) em uma administração liderada por Pazolini, buscando medir o impacto dessa associação na intenção de voto da população a poucos dias da votação definitiva.
cobrança por identificação de responsáveis e interrupção das chamadas
Para a campanha, a estratégia por trás dessas ligações configura propaganda eleitoral irregular e a propagação deliberada de notícias falsas em um momento crítico do processo democrático, ocorrendo a dois dias do segundo turno das eleições. O fluxo intenso de chamadas levantou suspeitas sobre o financiamento e a origem tecnológica do disparo em massa.
Diante da situação, a representação jurídica protocolada exige que a Justiça Eleitoral determine a imediata interrupção da circulação dessas mensagens. O pedido também inclui diligências para identificar os responsáveis técnicos pelas chamadas, rastrear eventuais empresas contratantes e apontar quem está financiando a operação de desinformação no estado.
O episódio ilustra os desafios enfrentados por campanhas eleitorais no combate à circulação de conteúdos não verificados que tentam influenciar o eleitorado na reta final das urnas.

