A reta final da campanha eleitoral de segundo turno foi marcada por estratégias distintas e fortes contrastes na propaganda de TV exibida nesta sexta-feira (23). O senador Flávio Bolsonaro (PL) concentrou seus últimos minutos em mensagens de apelo religioso, símbolos nacionalistas e agradecimentos aos eleitores, enquanto o presidente Lula (PT) optou por relembrar uma série de acusações e polêmicas envolvendo o adversário.
Estratégia religiosa e nacionalista na reta final
O programa de Flávio Bolsonaro teve início com o hino nacional executado em diferentes instrumentos musicais, estabelecendo um clima solene e patriótico. “Chegou a hora da decisão. Não é sobre mim e outro candidato”, declarou o senador, pontuando que o pleito definirá os rumos do país para as próximas décadas e questionando se a população deseja manter o atual sistema político.
A peça eleitoral contou com a participação de conhecidos cantores sertanejos, como Gusttavo Lima, Rodolffo e Zezé Di Camargo, reforçando o apoio popular ao candidato do PL. O encerramento do programa exibiu uma multidão reunida em oração do Pai Nosso ao som do hino nacional, além de um alerta do candidato lembrando que o voto é secreto e que nenhum eleitor deve sofrer pressões.
Repercussão de acusações e embates judiciais
Do outro lado, o programa do presidente Lula abriu com um locutor classificando os ataques recentes do adversário como reflexo de desespero. A propaganda petista trouxe à tona questões judiciais e históricas, citando a atuação de Flávio como advogado e relembrando o caso envolvendo o cabo da Polícia Militar Bruno Dias Delaroli, acusado pela morte de Ana Clara Gomes Machado em 2021, em Niterói (RJ).
O programa apontou que o senador figurou entre os advogados listados em decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça) em 2024. A defesa de Flávio sustenta que a advocacia não pode ser criminalizada, argumento já utilizado anteriormente em debates televisivos.
Histórico político e polêmicas de campanha
A peça de Lula também resgatou homenagens prestadas no passado pelo parlamentar e conexões investigadas por órgãos de justiça. Foi mencionada a entrega da Medalha Tiradentes em 2005 a Adriano da Nóbrega, apontado posteriormente como líder do Escritório do Crime, além de menções a repasses de recursos parlamentares associados ao caso do assassinato de Marielle Franco.
No campo econômico e social, o programa do atual presidente voltou a afirmar que propostas do adversário poderiam resultar no corte de iniciativas como o Bolsa Família e o Farmácia Popular. O senador já havia rebatido tais alegações em sua própria propaganda, assegurando a manutenção dos programas sociais.
Encerramento da campanha e perspectivas para a votação
Nas considerações finais da exibição televisiva, Lula agradeceu o que classificou como uma campanha histórica, pontuando que o país apresenta avanços econômicos e sociais, mas que ainda exige trabalho contínuo. O presidente reforçou o discurso de defesa de direitos sociais e evitou novos embates diretos, enquanto o cenário político se prepara para a votação definitiva do segundo turno.
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